FAROFA ROCK MOVIES
Não consegui encontrar a origem do termo, mas dando uma rápida googleada por aí, dá para se chegar a algumas conclusões sobre o rock farofa. Claramente criado como uma expressão pejorativa, para designar todo aquele tipo de banda ou música que foi na direção contrária à concepção original do rock. Basicamente, a farofa foi aquele rock mela-cueca, baladeiro, extremamente comercial e limitadamente criativo. Ou seja, o rock dos anos 80 em peso! (não que isso exclua muitas das coisas produzidas nos dias atuais)
No mesmo balaio, podemos colocar coisas como Poison, Bon Jovi, Van Halen, Mötley Crüe, Whitesnake e, invariavelmente, qualquer grupo com nome de localização geográfica como Asia ou Europa (mas Boston continua foda, né não?).
No terreno do cinema, há um nicho especialmente reservado àquelas pérolas da auto-paródia que não deixam de alfinetar todo o mundo cabeludo e “poser” do mesmo rock que busca também homenagear. Segue a nossa lista dos filmes de rock mais farofa de todos os tempos (e se lembrar de mais algum, faça o favor de deixar registrado aí embaixo nos comentários):

Isto é Spinal Tap (This is Spinal Tap – Rob Reiner, 1984) registra a turnê estadunidense de uma grande banda de Heavy Metal inglesa. O filme poderia muito bem estar na categoria de documentários, a não ser por um simples detalhe: é tudo de mentirinha. Muito antes do Massacration encher os estádios pelo Brasil afora, houve um grupo que ganhou a alcunha de “banda mais barulhenta do Reino Unido” – como seu cartaz insistia em nos alertar. Essa banda era o Spinal Tap. Mas assim como seu filhote brasileiro, o Spinal Tap NUNCA EXISTIU.
O filme do diretor Rob Reiner (de Conta Comigo e Louca Obsessão), além de ser um retrato fantástico do metal purpurinado e laqueado do rock que tomou conta da época (Kiss? Judas Priest? Alguém? ) é também, na opinião singela deste escriba, um dos melhores filmes de comédia de todos os tempos. Talvez o maior mérito esteja na sátira mascarada. O filme tem toda uma forma carinhosa de tratar o tema, com a nostalgia dos grandes momentos de uma banda que agora está em decadência. É como se o documentarista (que é vivido pelo próprio diretor) fosse um verdadeiro fã do Spinal Tap.
As sacadas cômicas são coisas geniais, como os depoimentos “sinceros” dos membros da banda (em especial, as respostas sobre a constante mudança de bateristas) ou o absurdo de um solo de guitarra usando um violino como palheta. Obrigatório para o fã de rock.
Numa lista como essa, não poderia faltar uma homenagem sincera à banda mais farofa de todos os tempos. Com direito a muito ovo mexido, bacon e banana picadinha: Kiss! Detroit – A Cidade do Rock (Detroit Rock City - Adam Rifkin, 1999) não é – nem de longe – uma excelente obra cinematográfica. É um filme de adolescentes, descontraído, repleto de clichês do gênero, mas com uma paixonite crônica pelo rock estampada em cada trapalhada – das muitas – em que o quarteto de protagonistas se envolve. E é essa mistura de road movie com rock n´roll que o o torna obrigatório na nossa lista.
A história? As intrépidas aventuras de quatro amigos que farão de tudo para conseguir assistir ao show do Kiss (em carne, osso e muita maquiagem), na cidade de Detroit, lá pelos idos de 1978. As tiradas sobre o inacabável “conflito” religião X rock n´roll dão um tempero a mais, mas o que fica gravado na memória é o show catártico do final.
Tenacious D – Uma Dupla Infernal (Tenacious D and the Pick of Destiny -Liam Lynch, 2006) é como todo musical deveria ser: anárquico, escrachado e sem noção. Conta a história (fictícia? Será?) da formação da dupla Tenacious D em busca da performance perfeita do rock, que é simbolizada aqui pela mítica palheta do destino.
Aliás, a origem da tal palheta é também referência a um dos papos mais recorrentes em reuniões de grupo dos Pais Unidos em Cristo pela Preservação da Família e Bons Costumes, sobre aquela coisa maldita de o “rock n´roll ser coisa do Diabo”. E qual não é a nossa surpresa quando vemos que o pai religioso conservador do jovem JB é Meat Loaf, ator e roqueiro fR0M hElL (e também o Bob de Fight Club) que, entre outras coisas, fez isto aqui? Essa sarcástica incoerência ainda é um detalhe, se comparada com o restante dos méritos dessa comédia nonsense. Há uma parcela de humor sexual bizarro de um mau gosto absurdamente divertido, mas é nos números musicais que a comédia com Jack Black (o comediante mais rocker de todos) e Kyle Gass (mostrando do que um sidekick é capaz) guarda toda a sua força.
Vai por mim, você vai querer ver e rever cada uma das sequências operísticas repletas de besteirol e falsetes absurdos: desde o garotinho que descobre o rock “boca suja”, pra logo em seguida ser chamado à jornada por ninguém menos que o falecido Dio, na faixa Kickapoo; até o embate final entre JB and KG e ninguém menos que Dave Grohl , disfarçado de Diabo, na épica Beelzeboss (The Final Showdown). No final, fica a sensação de que um show de verdade, com toda a teatralidade dessa dupla, ia ser algo que você não perderia por nada neste ou no outro mundo.
P.S: Se gostou da farofada, vale a pena ainda buscar outras coisas no meio da bagunça. Mesmo que não tenham o rock n´roll como centro das atenções e caiam na ideia dos “dois brothers extremamente idiotas e suas intrépidas aventuras“, a música e a atitude circundam tudo que rodeia o roteiro e os personagens em Quanto Mais Idiota Melhor (Wayne´s World - Penelope Spheeris, 1992) e em sua nem tão inspirada sequência (Wayne´s World 2 - Stephen Surjik, 1993). Também, impossível não lembrar do par de filmes sobre os ‘gênios’ Bill Preston e Ted Logan (Bill & Ted’s excellent adventure – Stephen Herek, 1989 e Bill & Ted´s bogus journey - Peter Hewitt, 1991) que, com sua música, criaram a base para a existência de toda a humanidade num futuro em que todos amam rock n´roll e que cabines telefônicas são um meio de transporte intertemporal ao custo de uma ligação local. Rock n´roll is here to stay. Não mais utópico do que sensacional.











Leave a Reply