Planeta dos Macacos – A Origem (2011)

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Posted 25 August 2011   Cinema, Crítica, Cultura

Planeta dos Macacos – A Origem (Rise of the Planet of the Apes) é mais um dentre inúmeros prequels que vêm povoando os cinemas nos últimos anos. Na maioria dos casos, essas variantes franqueadas acabam se reduzindo a derivados menores. Não é este o caso.

A “ascensão” do título original (nome muito mais apropriado do que a adaptação brasileira) entrega uma visão menos revolucionária desse universo iniciado em 1968 e nos apresenta um dos personagens melhor realizados em computação gráfica na história do cinema (difícil tomar o trono do Gollum): o chimpanzé César.

O filme conta a história de Will Rodman (James Franco, com boa atuação mas ainda com mania de fazer cara de coitado), cientista que lidera pesquisas em busca da cura do Mal de Alzheimer. Em seus experimentos com chimpanzés (último estágio antes de passar para os seres humanos) acaba desenvolvendo o ALZ-112, uma fórmula que também ocasiona uma evolução na inteligência dos símios. Daí, uma cadeia de acontecimentos levará ao início de uma revolta dos símios contra a supremacia humana. Falar mais do que isso poderá estragar a experiência que é assistir a toda a evolução do chimpanzé César, de filhote desamparado a líder da rebelião dos macacos.

Serkis interpretando César

Aliás, o arco que envolve César é o que confere o brilho deste filme.

César é o centro de todas as atenções e é no crescimento de seu posicionamento frente à humanidade que o filme encontra força. Some-se a isso os efeitos digitais da gabaritada Weta Digital, que são realmente impressionantes. Ainda que haja uma diferença de qualidade entre uns e outros efeitos (o César filhote ainda é irreal, mas é compensado por toda a sequência na ponte Golden Gate). As expressões de César estão em um nível absurdamente real e humano – por mais estranho que isso possa soar quando estamos falando de um chimpanzé.

Se o elemento do real é qualidade da detalhada captura de movimentos, o adjetivo humano é mais uma vez mérito de Andy Serkis (O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei King Kong). A atuação de Serkis é milimétrica e está nos detalhes, desde os trejeitos símios mesclados a características humanas, como o jeito de caminhar ereto, até os detalhes precisos do olhar de César. Nos olhos repletos de alma do chimpanzé, o espectador poderá acompanhar toda a passagem de tempo do filme, desde os sentimentos iniciais de felicidade e admiração pelo “pai” humano Will, passando pelo medo e a vontade de vingança contra seus algozes, até a idealização da liberdade como um objetivo a ser atingido.

Mas nem tudo são elogios, ocorre que os tais lugares comuns acabam também sendo o fator prejudicial no núcleo humano do filme, parte mais fraca da obra. Apesar de composto por alguns ótimos atores, fica reduzido a situações tão previsíveis, que beiram os clichês (e os ultrapassam, no caso do chefe de Will, interpretado por David Oyelowo, que só pensa em cifras e mais cifras). Apesar de no início prometer ser algo mais, Freida Pinto fica relegada ao papel da ‘namoradinha’, já que sua personagem não acresce nada em relação às decisões dos personagens principais como César ou o seu próprio par romântico, Will.

Freida e James

Talvez o pai de Will seja o mais relevante nesse eixo, já que se constitui num elo emotivo de Cesar com a humanidade (e também o gatilho para suas mudanças), mas acaba desaparecendo da trama de uma forma desnecessária, valendo mesmo por nos presentear com a presença de John Lithgow (por maior que seja seu recente sucesso no seriado Dexter, ele ainda é o George de Um Hóspede do Barulho).

Breves conexões com o primeiro Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, Franklin J. Schaffner1968) podem ser percebidas em alguns momentos, como no noticiário que fala sobre um grupo de astronautas há meses no espaço e a presença da Chimpanzé fêmea Cornélia, homenagem ao Cornelius vivido por Roddy McDowell. Referências visuais como as lanças e os cavalos também estão lá para não nos fazer esquecer que, por mais singular e afastado que esteja dos rumos da franquia originária, este aqui também se trata de um genuíno Planeta dos Macacos. Com a vantagem de neste aqui os símios serem realmente convincentes.

Se em 1968, a reviravolta no final e os gritos inconformados de Charlton Heston (“YOU MANIACS!”) foram marcantes, aqui em 2011 o filme ganha força não só por ter um discurso ambientalista que não soa piegas, mas principalmente por nos convencer em definitivo de que não demora muito e a Academia – sempre um passo atrás – criará um Oscar Honorário por Atuação em Captura de Movimentos, só para agraciar o trabalho primoroso desse gênio subestimado, Andy Serkis.


Planeta dos Macacos – A Origem (Rise of the Planet of the Apes). Direção Rupert Wyatt. Com James FrancoAndy SerkisFreida Pinto

Estreia nesta sexta-feira 26 de agostos de 2011


 

1 Comment

  1. Inicialmente eu tinha pensado que seria estranho um prequel da série, pois o que ela sempre fez foi deixar aberta a mensagem se aquele lugar onde os astronautas estavam era uma realidade paralela, um futuro distante ou apenas outro mundo.. No entanto me surpreendi, o filme é bem feito, respeita uma série de fatores mostrados ao longo da série e tem uma história consistente e com sentido.

    Vale dizer tambem, que nunca vi uma evolução de personagem tão bem feita.. a direção, os cortes, o roteiro, tudo colabora e culmina na própria evolução de César e sua espécie.

    Fiquei curioso para saber agora onde isso vai ser levado.

    Posted by Felipe Muñoz on 25 August 11 at 5:54pm [Reply]

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