Sobre histórias e memórias

Caio Blat atuando com projeções
Assisti durante o Paulínia Festival de Cinema deste ano o documentário Uma Longa Viagem da diretora Lúcia Murat. Na verdade eu não tenho competência nem responsabilidade para escrever algo profundo sobre o longa, ainda mais que não consegui ficar até o fim da sessão pelo meu trabalho no local pelo youtube.com/Cinema.
O trabalho da diretora foi em costurar um emaranhado de memórias, desde a sua história durante a ditadura (no qual ela foi presa política) ao eixo principal que é acompanhar a jornada do irmão Hélio por uma viagem ao redor do mundo. Para “compor” esta narrativa a diretora se dispõem das cartas enviadas pelo irmão durante seu período no exterior, onde elas são lidas e interpretadas pelo ator Caio Blat. Além disso, ela utiliza imagens de arquivo da época, complementando com as entrevistas feitas com o irmão hoje em dia.
O curioso era ver o quanto a diretora conseguia se aprofundar nas questões existenciais da fuga do irmão pelo mundo e o quanto ela se resguardava de expor muito de sua família. É talvez por ficar nessa corda bamba, que o documentário (até o momento em que tinha assistido) não havia alcançado uma verdade absoluta daquilo tudo. É claro que conseguimos enxergar a sensação de liberdade total do irmão Hélio por suas viagens, mas também apenas tocamos na superfície de seus problemas psiquiátricos e de quais outros fantasmas o perseguiam.
Novamente, este é apenas um comentário superficial da coisa. O mais interessante mesmo foi a tentativa de montar esse quebra-cabeça a partir de diversos materiais levantados pela diretora, misturando linguagens e texturas de diversas qualidades. Acho que remontar narrativas do passado, baseadas em fatos pessoais, têm essa cara de mistureba visual.
Não deixa de vir a mente, por mais piegas que seja, o documentário Meu Melhor Inimigo, do diretor Werner Herzog. Nele há uma tentativa de reconstruir a persona do ator Klaus Kinski, buscando entender esse ator a partir da relação dele com o diretor alemão que assina o documentário.










Leave a Reply