Meia-Noite em Paris (2011)

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Posted 23 June 2011   Cinema, Crítica, Cultura

Como será que funcionam os misteriosos mecanismos da inspiração?

Todos nós, uma hora ou outra, buscamos um norte em trabalhos anteriores aos nossos. Isso não se aplica apenas aos artistas de plantão. Não basta se contentar apenas com a opinião de um colega de trabalho ou de alguém de seu círculo de amigos. É necessária uma aprovação maior. Um selo definitivo de qualidade que acalme nossa alma.

Portanto: seria vantajoso se tivéssemos um passe para consultar um autor que você respeita, certo? Mesmo que ele nem mais esteja vivo?

Gil e seu drink no passado

Meia-Noite em Paris retoma temas conhecidos da fase prolífica de Woody Allen nos anos 80, quando lançou obras como Zelig e A Rosa Púrpura do Cairo. Mesmo espelhando a sua personalidade (como de praxe) em um personagem, nesse caso Gil (Owen Wilson), Allen parece ser o mais sincero possível com os seus espectadores ao narrar a história deste escritor que se perde pelas ruas de Paris à meia-noite, mergulhando na cena boêmia e artística da cidade nos anos 20.

Com um tom diferente do esperado (se lembrarmos que seu último lançamento foi no pessimista Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos), a história aqui brinca com as dimensões da ilusão de Gil, mas também tem um apelo amplo que pode servir para outras gerações. Afinal, Gil é um fã de Paris, da mesma forma que existem fãs de Guerras nas Estrelas por aí, ou até fanáticos por futebol aos milhões no Brasil.

O amor que Gil tem por seus autores e por sua fantasia é o mesmo que todos temos em nossas inspirações. Apesar de nem todos podermos ter essa chance de consultar um ídolo, é sempre bom ainda ter um pouco de esperança por aí, como Allen já havia ensinado.

Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris) – Direção: Woody Allen, Com: Owen Wilson, Rachel McAdams

Entrou em cartaz no último dia 17 de Junho.

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