O Caminho da Liberdade (2010)
Esta semana finalmente entrou em cartaz O Caminho da Liberdade, de Peter Weir, após o usual delay entre os cronogramas de estreia do exterior com o Brasil.
Para alguns que já se informaram com antemão, o filme narra a história de um grupo de fugitivos de uma gulag siberiana, que percorram mais de 6500 km a pé da Rússia até a Índia. E é isso que vocês precisam saber por enquanto.
Weir é notoriamente conhecido por ter um processo de trabalho de pré-produção perfeccionista, calcado na criação mais rica possível de vestuários, maquiagem, cenários e etc. É só lembrar do belo exemplo de seu último filme, O Mestre dos Mares, que continha belíssimas sequências marítimas, além de um soberbo trabalho de sound design que tornou-se referência na área cinematográfica.

a luta pela sobrevivência desde o frio ao calor mais intenso
Aqui neste caso, Weir pareceu lidar com uma faca de dois gumes: ou abraçava, novamente, as convenções do cinema popular; ou flanqueava pelo cinema mais existencial ou artístico que costuma vir com o filme de estrada. O complicado processo de misturar os dois talvez tenha criado esta bolha por onde O Caminho da Liberdade flutua.
O filme contém belas locações, desde a Bulgária até o Marrocos, que mostram o tal preciosismo técnico e estético do diretor, fatores que entregam os melhores momentos do filme (incluindo aí o trabalho de maquiagem indicado ao Oscar). Aqui cabe a máxima da “busca por imagens adequadas” que o Herzog tanto fala: Weir filma suas locações com uma responsabilidade incrível, ainda mais quando vemos o grupo esconder-se em uma espécie de caverna ainda na Sibéria. Mas também sente-se desconfortável com os blocos de “ação” da história: a própria fuga é apresentada de forma nebulosa e seu ritmo não conversa com quase todo o andamento do resto do filme.
O bloco de atores também oscila em sua resposta ao roteiro: Colin Farrell usa o suficiente para manter um aura sinistra em seu Valka, enquanto o queridinho Jim Sturgess não parece carregar o carisma para ser o líder Janusz. Ed Harris, que já havia trabalhado com o diretor em O Show de Truman, só consegue apresentar novas camadas de seu “Senhor Smith” uma vez que o filme retoma seu andamento compassado, ainda mais quando a talentosa Saoirse Ronan surge com a sua Irena.
O Caminho da Liberdade no fim parece um especial de domingo do National Geographic (que é um dos produtores do filme) só que extremamente bem realizado por um diretor de calibre. A necessidade primordial aqui era de contar esta história da melhor forma possível, mesmo que os relatos do livro de Slavomir Rawicz sejam questionados em sua veracidade. Talvez a missão de Weir realmente tenha sido bem cumprida neste ponto, mas a falta de dados críveis do material de base ou até do roteiro deixou o filme perdido por entre categorias (e estilos) do cinema.
É uma coisa engraçada esse tal de cinema: parte-se de uma história baseada em fatos reais, filma-se da forma mais real possível, descobre-se que a história era de mentira. Tudo aquilo então foi uma miragem que agradou alguns, mas enganou outros.
O Caminho da Liberdade (The Way Back) – Direção: Peter Weir, Com: Colin Farrell, Ed Harris, Jim Sturgess e Saoirse Ronan
Entrou em cartaz no último dia 13 de Maio.










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