Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (2011)
Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles recebeu um dos maiores ataques frontais da mídia especializada dos quais se tem notícia nos últimos anos. O famoso crítico americano Roger Ebert atacou o filme, chamando-o de “(…) barulhento, violento, feio e estúpido”. Outros iniciaram uma espécie de manifesto a favor da proibição da estética da “câmera tremida”, declarando o filme como um dos pontos mais baixos já presenciados na história da cinematografia norte-americana, não poupando farpas ao diretor de fotografia.
Não que estejam todos errados quanto ao resultado final do diretor Jonathan Liebesman, mas há muito mais a ser refletido aqui do que parece.
Batalha de Los Angeles (vamos chamá-lo assim por motivos práticos) é uma espécie de filho bastardo, terrível, obscuro, fantasmagórico, que surgiu para nos cobrar os direitos de pensão que não tem recebido por anos. Ele nasceu ao menos 14 anos atrás, em uma época em que o mundo se impressionava com o Will Smith pilotando um F-18 em sentido direto ao coração de uma espaçonave gigante.
Provavelmente, os mesmo pré-adolescentes que se emocionavam com estas sequências, sentam-se agora em computadores e atacam ferozmente a ignorância visual que é o Batalha de Los Angeles. Não obstante, é talvez o mesmo público que gostou do suporte visual que Paul Greengrass trouxe a trilogia Bourne, ou também são mesmas pessoas que acompanharam capítulo a capítulo a saga do seriado 24 Horas. Todos estes exemplos, é claro, são calcados de conceitos explícitos desde o começo. A edição rápida e frenética das perseguições de A Supremacia Bourne refletiam a confusão mental do personagem principal, enquanto o estilo de câmera solta que acompanhava o Jack Bauer transmitia o senso de urgência de suas missões.
Isto não exclui que este filhote bastardo que é o Batalha de Los Angeles não utilize este estilo documental para apresentar seus marines logo no primeiro ato. Mas também não nos poupa de uma enxurrada do melhor leque possível de clichês de filmes de guerra. Lá vem o Sargento que vai se aposentar (Aaron Eckhart), o outro que é casado e espera um filho, o outro que vai pedir a mulher em casamento, o outro que é traumatizado e assim vamos. Mas é incrível como este é um dos únicos casos antes vistos na história do cinema em que qualquer tipo de construção de personagem que existe no começo é logo jogado no lixo quando a enxurrada de balas voam por todos os lados.
Mas, podemos dizer que o supervisor de efeitos especiais, Everett Burrell, fez o possível para a peteca não cair. Mesmo com concepts estranhos, a equipe conseguiu criar sequências de ação decentes, provavelmente tendo como ponto alto o tiroteio numa ponte. O próprio Aaron Eckhart tenta aprofundar o seu personagem, entregando alguns momentos bons por entre gritos de comando ou discursos motivacionais datados da época do Rock Hudson.
Batalha de Los Angeles é um filhote do cinema bélico de Michael Bay, feito sob encomenda para uma geração movida a jogos de tiro em primeira pessoa, mensagens rápidas de MSN e bebidas alcóolicas misturadas com refrigerante.
Portanto, cada geração tem o Independence Day que merece. O primeiro lugar de bilheteria não foi em vão.
Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (World Invasion: Battle Los Angeles ) – Direção: Jonathan Liebesman, Com:Aaron Eckhart
Entrou em cartaz no último dia 18 de Março.











Olha mesmo sabendo de tudo isso estou muito curioso para assistir. Um pedaço da frase de Lennon “A ignorância é uma espécie de bênção.” Ahahahaha Ótima Reseha Jairo!
Minha irmã tem 15 anos e acha que tem texto demais nos posts do GeeX. Ela adorou o filme.