O Besouro Verde (2011)

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Posted 18 February 2011   Cinema, Crítica, Cultura

Michel Gondry devia esconder algum tipo de desejo secreto em dirigir um blockbuster. Podia ser esta possibilidade de unir efeitos especiais com explosões pirotécnicas, unindo também incríveis astros hollywoodianos em um grande lançamento bancado por um estúdio igualmente gigante. Talvez ele não se contentasse em ser um estrangeiro pulando pra um lado e pro outro com seu trabalho autoral. Talvez ele quisesse mais.

Qualquer que seja o motivo, O Besouro Verde tem mais a aparência de um batata quente que rodou por várias mãos antes de pousar nas do cineasta francês.

Vindo originalmente de uma imensidão de mídias (rádio-novela, quadrinhos, série de tv e também um filme), O Besouro Verde tinha os trejeitos necessários para se catapultar ao status de filme cult: um material rico e já igualmente famoso (ainda mais pela presença ilustre de Bruce Lee no seriado original), um elenco promissor (o comediante Seth Rogen) e, é claro, a direção de Gondry.

Na trama reciclada e recauchutada para os dias atuais, o playboy/party-boy Britt Reid (Seth Rogen) é surpreendido pela repentina e misteriosa morte de seu pai James Reid (Tom Wilkinson), um importante empresário do ramo das comunicações. Em um estalo repentino ele decide se juntar com o seu chofer (e expert em artes marciais) Kato em uma cruzada no combate ao crime pelas ruas de Los Angeles, adotando a figura do “O Besouro Verde” como identidade secreta.

Infelizmente o que ocorre é uma sequência de decisões mal tomadas, que vai desde o imbróglio que envolveu a produção do mesmo até a dispensável conversão do filme ao 3D. É uma pena que o imaginário de Gondry foi escassamente utilizado, aparecendo em pouquíssimas sequências que são representativas de sua filmografia, como em um interessante quebra-cabeça que é formado para resolver certos pontos da trama, e também em uma cena que envolve um movimento de câmera com uma série de dublês coreografados que aparecem e desaparecem no cenário simulando uma sequência de golpes de Kato (complicado, mas na hora vocês entenderão).

O alívio cômico do Seth Rogen consegue divertir por entre vários momentos, mas chega uma hora em que se pergunta se não era melhor ter segurado um pouco as pontas do homem.

Aliás, O Besouro Verde passa uma impressão até meio familiar. Parece que é aquele colega seu irresponsável que se gamou por ter estudado o suficiente para passar na média.

E “média” em 3D foi de chutar o balde.

O Besouro Verde (The Green Hornet) – Direção: Michel Gondry, Com:Seth Rogen, Jay Chou, Cameron Diaz e Tom Wilkinson

Entrou em cartaz no último dia 18 de Fevereiro.

2 Comments

  1. O 3D realmente foi TOTALMENTE desnecessário. A única coisa q ficou legal foi a “parada de tempo” do Kato que sobresai os elementos que ele está notando como importante… mas só a cor já seria o suficiente.
    Gostei muito das referências… os desenhos do Bruce Lee que Kato fez, a trilha sonora no final, etc
    Gondry se controla nas loucuras, e quando as executa, faz elas combinarem com o filme.

    Pra terminar, tenho de ressaltar o caminho do roteiro… achei que fosse ser mais clichê do que foi: Kato seria muito mais sábio que o Besouro, Seth Rogen ficaria com a Cameron Diaz, etc… e me surpreendeu. As piadas são legais, mas como o Jairo disse, elas são postas pra segurar o filme… e isso, uma hora, cansa.

    Posted by Trakinos on 10 March 11 at 3:46am [Reply]
  2. Eu queria mais Gondry que aparece aqui: http://www.youtube.com/watch?v=C9D0Kr0yHng

    Posted by Jairo Neto on 10 March 11 at 4:03pm [Reply]

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