Tetro (2009)

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Posted 13 December 2010   Cinema, Crítica, Cultura

Perguntado uma vez sobre qual era a melhor dica para um jovem cineasta, Werner Herzog respondeu: “Ler, Ler, Ler e Ler.”

Tetro, o novo filme do diretor Francis Ford Coppola, encapsula momentos que parecem dignamente retirados de alguma novela clássica. Mas tudo parte na verdade de um roteiro original do diretor, que pinça aqui e ali alguns momentos autobiográficos ao contar uma história de rivalidade entre irmãos em uma cinzenta Buenos Aires.

Então lá temos Bennie Tetrocini (o novato Alden Ehrenreich) que viaja para a capital portenha em busca de seu irmão desaparecido, o escritor Tetro (Vincent Gallo) que vive em um apartamento com Miranda (Maribel Verdú). Bennie logo se vê envolta de um emaranhado de fragmentos da história de sua família, buscando de todas as formas compreender se a novela inacabada de Tetro contém as respostas de suas dúvidas.

O relacionamento conturbado dos irmãos Tetro e Bennie.

Caminhar por Tetro é pisar em um território divisório do universo de Coppola. Por ali temos a combinação precisa de dois universos cinematográficos do diretor. Um seriam os estudos de personagens, ou aqueles dramas que centralizam-se na formação e crescimento de personagens específicos. Para tal, temos como exemplos. filmes como O Selvagem da Motocicleta, ou até o menor O Homem Que Fazia Chover, entre outros. Por outro lado, o filme também encapsula um pouco da megalomania e gigantismo de obras como Apocalypse Now e até a série do O Poderoso Chefão, ao tratar seus temas com um quê operístico.

Portanto, é confortante ver como o drama da família Tetrocini une os dois territórios de forma tão sinérgica. É como pensarmos em nossas famílias, de certa forma. Todos temos as nossas vida, mas de uma forma ou outra orbitamos um universo familiar repleto de conflitos, histórias, segredos e mentiras. O que vemos em Bennie talvez seja um sentimento de amor em estado bruto, inocente, enquanto ele tenta de toda a forma quebrar o muro que cerca Tetro e sua incapacidade de corresponder com os sentimentos do irmão.

Coppola utiliza-se então de diversas maneiras para conduzir sua trama na tela. O preto-e-branco da trama principal elimina possibilidades de ruídos do ambiente, centralizando a narrativa na história dos irmãos. Mas, ao viajarmos por entre as memórias de Tetro, somos surpreendidos por cenas coloridas, mas estranhamente cruéis ao espectador. Nas entre-linhas somos atacados por verdades nuas e cruas que lançam a história por novos rumos.

Claro que mesmo emulando certos aspectos dos pesados dramas de Bergman, Coppola evita transformar o filme em uma experiência masoquista, optando por inserir momentos de alívio cômico vindos do ótimo Rodrigo de La Serna. O diretor também opta também em enveredar a história por entre cenas do filme Contos de Hoffman, utilizando sua referência visual nas belas cenas de dança que explicam momentos do passado dos personagens da família Tetrocini.

Não há como apontar que Tetro é um amadurecimento da obra de Coppola, porque Coppola já está mais do que maduro. Bem sucedido e com a carreira estável (não como no período de crise financeira do começo dos anos 90), o diretor pode desfrutar de tempo e conhecimento para criar filmes a maneira de um escritor. Velho e sábio, Coppola faz em Tetro o que os melhores autores de seu biblioteca fizeram em romances e novelas: uma história que abraça com força o espectador e traz uma recompensa memorável no final.

Sim, esqueça Jack.

(Para uma entrevista com o Coppola, acessem o ótimo blog do Bruno Yutaka)

Tetro – Direção: Francis Ford Coppola, Com: Alden Ehrenreich,Vincent Gallo

Entrou em cartaz no último dia 10 de Dezembro.

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