Enterrado Vivo (2010)

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Posted 10 December 2010   Cinema, Crítica, Cultura

Créditos iniciais rolam na tela.

Trilha-sonora em alto e bom som.

Fade out.

Escuro. Silêncio.

Quase um minuto de escuridão antes que possamos ouvir o respiro de um homem. Ele grunhi, tosse, respira fundo. Se debate. Ruídos de movimento. Finalmente um isqueiro do tipo zippo acende o ambiente e vemos de relance o nosso personagem principal.

Só esse descritivo seria o suficiente para simular o roteiro de Enterrado Vivo, mas é a melhor forma de iniciar a discussão sobre o impressionante trabalho de estreia do diretor Rodrigo Cortés.

Uma vez que absorvermos (ou compreendemos) o que está a nossa frente, ficamos sabendo da história de Paul Conroy (Ryan Reynolds), o homem preso no caixão. Ele foi contratado para trabalhar como motorista por uma empreiteira que atua no Iraque e não sabe por quais motivos teria sido trancado naquele lugar. Desesperado, ele encontra um celular e tenta buscar socorro com o pouco de sinal (e ar) que lhe sobra.

A mão firme e virtuosa de Rodrigo Cortés conduz esta história claustrofóbica com uma bravura cinematográfica que só pode indicar a chegada de algum novo gênio da sétima arte. Não há aqui uma bajulação gratuita, mas sim uma afirmação convicta que o conto deste homem no escuro será relembrando pelos próximos anos. Isto se deve em muito pela eficiente trabalho que foi feito ao narrar o conto de Paul Conroy. Desviando de saídas fáceis, Cortés foi atrás do maior leque de ângulos possíveis daquele caixão, alinhando um ótimo trabalho de fotografia de Eduard Grau, que trabalha as mudanças de cores e temperaturas por entre os atos da trama.

Ryan Reynolds e a história do homem no escuro

Mesmo sendo um ator limitado (porém carismático) Ryan Reynolds entrega em seu Paul Conroy a medida certa para a trama, explorando momentos de dor e agonia com adequados respiros de alívio cômico. Mas não é só de suspense que se movimenta o roteiro de Chris Sparling. Por entre as ligações perdidas de seu celular, ouvimos um terrível e burocrático universo exterior aquele caixão. Nomes. Cargos. Perguntas. Paul Conroy parece na verdade preso a uma enorme rede de poderes maiores e mais importantes do que o valor de sua vida. Por entre o montante de informações, precisamos escolher em que acreditar: ou naquela voz assustadora do terrorista da Al Qaeda ou na segurança e convicção do negociador do exército.

Então…será que o nosso lugar também não é naquele caixão?

Somos igualmente vítimas de sistemas que se alternam na manipulação de informações e trazê-los a tona cria um rebuliço descomunal (vide o caso Wikileaks). Verdades tornam-se mentiras. Vice-e-versa.

Encare o homem no escuro. Dali, eu ou você, não temos como fugir.

Enterrado Vivo (Buried) – Direção: Rodrigo Cortés, Com:Ryan Reynolds

1 Comment

  1. A ideia era boa, o filme consegue ser agonizante (tanto pela dimensão do caixão quanto pelo tempo que espera nas ligações) e foge dos clichês, mas ainda não achei o suficiente para me cativar. As pequenas falhas que vi me incomodaram e me deixaram arrependido por não ter ido assistir de novo “A Rede Social”.

    Gênio acho que ainda não, prefiro ver mais alguma coisa e dessa vez irei esperar sair nas locadoras.

    Posted by Emarx on 21 December 10 at 9:37pm [Reply]

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