Paul McCartney
(pra tocar enquanto lê http://www.youtube.com/watch?v=JK2hKzZss5Y)
- UP AND COMING TOUR
Sou um músico erudito. Antes de ser músico erudito, eu sou músico e, como tal, tenho alguns sentimentos via música que nem todas as pessoas tem. Gosto muito de shows.
Colecionei, em meus últimos 12 anos, cerca de uns 60 shows. Meu primeiro show foi Oasis em 1998. Passando por Deep Purple (umas 4 vezes no meio tempo), Rick Wakeman, Beach Boys, Pearl Jam, Focus e até bandas menores (mas não menos importantes) como Velhas Virgens e Ultrage a Rigor. Os maiores shows que havia ido tinham sido U2, em 2006, com um público avassalador no Estádio do Morumbi (há boatos de que eles voltem em 2011 agora) e Roger Waters com as músicas da minha banda favorita de todos os tempos, Pink Floyd (2 vezes fui no show de Roger Waters). Esses gigantes, somados entre si e a todos os shows menores, não chegam ao pé dos dois shows que enfrentei no estádio do Morumbi nesses dias 21 e 22 de Novembro de 2010.
Esse show foi o de Paul McCartney.
Ouvi muitas pessoas falando que Paul não era seu Beatle favorito (e não é o meu). Ouvi pessoas dizendo que ele estava velho e que não aguentaria os shows como antigamente. Ouvi gente falando que Paul só é alguém por ter sido dos Beatles. Essas pessoas não podiam estar mais erradas.
Paul entrou no palco com seus 68 (sim… quase 70) anos, cantou durante mais de 2 horas sem intervalo nenhum nem para tomar um gole de água. Como todos que passam por aqui, ficou impressionado com a resposta do público às músicas. E não tinha como não ficar. 2 dias de show com o estadio do Morumbi lotado e todos cantando suas músicas.
Fui pensando em me contentar em assistir a um dos Beatles ao vivo. Sempre gostei mais do George (morto em 29 de novembro de 2001 por cancer), mas sei que Paul sempre teve um efeito maior no público. Saí do show com outra opinião. Paul sem sombra de dúvidas, apartir do dia 22/11/2010, meu beatle favorito. Ele realmente sabe como dominar o público.
Paul intercala músicas de sua carreira solo com músicas do Beatles, deixando a platéia sempre animada. Músicas clássicas são tocadas no inicio, como Got to Get you into my Life e Drive my Car. Mas o impressionante veio após a metade do show. Apartir de um momento, Paul começa a soltar mais músicas dos Beatles, intercalando algumas poucas, mas poderosas músicas da carreira solo.
Essa é mais uma coisa que as pessoas se enganam. Paul McCartney É um ex-Beatle sim, e o melhor deles. Ele tem toques artísticos de John Lennon, tecnica e influências de George Harrison (e o Ringo não conta) e um dom para lidar com a platéia. Porém, Paul tem algo mais. Suas músicas de carreira solo não fizeram tanto sucesso quanto suas músicas nos Beatles. Não todas, pelo menos. Quando Paul toca músicas como Jet, Band on the Run e, especialmente, Live and Let Die, Paul mostra que conseguiu manter sua forma ao sair dos Beatles. Live and Let Die mostra isso em grande escala, animando a platéia e dando um show pirotécnico de dar inveja às bandas de Heavy Metal.
Mas tudo era, na verdade, uma apresentação para o Grand Finale.
Após Live and Let Die, Paul puxa Hey Jude com direito a brincadeira com a platéia e sai para o seu primeiro intervalo, depois de mais de 20 músicas. Quando volta do intervalo, são só músicas dos Beatles. E só campeões de peso pesado. Day Tripper, Yesterday, Get Back e não podemos esquecer de minhas favoritas: Helter Skelter e Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band.
Esses shows foram uma lição para mim. Uma lição de que não tenho que me contentar com pouco na música. Paul faz qualquer banda que assisti parecer banda de garagem, e não pela quantidade de pessoas assistindo, mas pelo ânimo que ele mantém no palco e para as pessoas ouvindo ele tocar.
Além disso, o show foi uma lição de que as grandes bandas morreram e que a era de ouro da música não deve voltar tão cedo. Vai ser uma grande tristeza para o mundo ter que olhar para a próxima geração e entender que eles não sabem o que é Beatles. E os que sabem não terão a oportunidade de ver um deles ao vivo em um show. E uma lembrança de que o mundo precisa de novos grandes artistas.
Em uma nota pessoal: um Beatle ao vivo… (eu sei que estou sendo repetitivo, mas quem estava lá entende) é algo que não se deixa passar! Se houver outra oportunidade, vá!
Alguns passos que você dá mudam sua vida para sempre. Um show do Paul McCartney é um desses passos.










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