Os botões ainda são necessários

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Posted 14 November 2010   Games, Tecnlg

As grandes apostas das fabricantes de consoles estão nos sensores de movimento. A Microsoft e a Sony acabam de entrar nesse meio para fazer trio com a Nintendo, que já conhece bem o funcionamento da coisa.

O objetivo de ambas é o mesmo: atingir um público diferente. A estratégia colocou a Nintendo à frente da corrida nas vendas de hardware.

Cada controle tem suas próprias particularidades. O mais ousado, sem dúvidas, é o Kinect, acessório para Xbox 360. Ele não apenas quer que o jogador controle os jogos através de movimentos simples, ele quer o colocar dentro do jogo.

Mas será que um controle sem botões pode dar toda essa profundidade?

A Microsoft aposta todas as suas fichas nisso.  Para ter uma ideia, o intuito da empresa não é fazer dele apenas um acessório para divertir em um videogame. Há a intenção de levá-lo também para diversas áreas diferentes.

Além de captar movimentos, o aparelho reconhece e distingue sons. Você pode dar uma ordem, que ele entenderá e saberá que quem emitiu a mensagem foi você, mesmo que haja diversos outros sons pelo ambiente.

Parece uma coisa fantástica e revolucionária. E a tecnologia usada no aparelho realmente é. Imagine como uma pessoa numa cama de hospital se sentiria livre dando ordens apenas com a voz.

Em Kinect Joy Ride, o próprio jogo controla a velocidade do carro

Em Kinect Joy Ride, o próprio jogo controla a velocidade do carro

Realmente legal, mas vamos voltar aos jogos. Neles, o seu corpo é o controle. Essa é a propaganda usada pela Microsoft. Você está livre dos botões. Não precisa segurar nada.

Isso continua parecendo incrível, mas não tão divertido.

Quantas vezes você reclamou de jogar em portáteis porque os botões não são suficientes para determinados jogos? Pois é, mais uma vez, o Kinect não tem botões.

Lançado na semana passada nos EUA, são poucos os jogos disponíveis para a plataforma. Mas já são suficientes para perceber como os controles ainda são muito necessários nos videogames.

Kinect Joy Ride é um jogo de corrida. Para jogar, basta estender os braços, como se estivesse segurando um volante, e guiar. O grande problema é que, como não há nada mais além de suas mãos, o próprio jogo é quem acelera e freia para você.

Isso me dá uma ideia totalmente contrária à imersão. Cada caso é um caso, mas particularmente, me sentiria bem mais “dentro do jogo” se realmente segurasse um volante, como em Mario Kart Wii, e mais ainda se tivesse pedais para controlar a velocidade do meu carro, como a gente pode fazer desde os anos 1990.

Imagine um FPS para o periférico da Microsoft. O quão incômodo seria fazer a pose de quem segura uma arma? Ou uma espada, em um RPG?

Claro, alguns tipos de jogos encaixam-se perfeitamente na proposta do aparelho. Kinect Adventures é um bom exemplo disso. Os minigames apenas envolvem ações como pular, abaixar, estender o braço ou bloquear passagens de coisas com o corpo.

Jogos desse tipo se saem muito melhor no Kinect que em seus concorrentes.

A Microsoft pode também lançar acessórios para serem usados com a plataforma futuramente, mas assim o aparelho se transformaria em mais uma versão de Wiimote ou Move, o que não era, nem de longe, a proposta inicial.

Ainda é bem cedo para falar. Poucos jogos estão disponíveis e o aparelho ainda nem foi lançado no Brasil, o que deve acontecer na próxima semana (ao preço de R$ 599,00). Mas, por hora, escolher o Kinect às outras opções já disponíveis no mercado não é nenhuma vantagem.

A tecnologia incorporada tem muito potencial, mas precisa ser usada da maneira certa. De qualquer forma, não acho que vá muito além do que já conhecemos.

3 Comments

  1. Bom, o texto é bom, afinal de contas nos faz pensar se estamos realmente prontos para abandonar de vez os botões. A resposta, é claro que ainda não. O Kinect Adventures, assim como o Wii Sports e o Sports Champions, são apenas DEMOs da tecnologia, por isso se encaixam tão perfeitamente em suas tecnologias. Esses produtos, chamados de jogos, provavelmente eram tech demos transformadas em jogos pois eles sabem que há mercado para tudo. Se GT 5 Prologue, que era inicialmente, um demo de GT 5 vendeu horrores, porque uma Tech Demo bem acabada e polida não pode virar produto comercial? A diferença é que tanto Nintendo quanto MS foram um pouco menos FDP e esses jogos saíram acompanhando as tecnologias. No caso do Move, ela pode ser comprada em pacote também, mas apenas no EUA. Na Europa o kit não possui o jogo completo.

    A idéia da Microsoft é muito válida, mas não tem nada de inovador. A Sony mesmo já fazia algo similar com uma tecnologia muito mais rudimentar em seu PS2 e sua Eye Toy. A tecnologia da câmera 3D (que capta coisas com noção de profundidade, não confundir com as câmeras 3D usadas para filmes como Avatar) também não é nada novo, visto que foi criada por uma empresa, a qual a Microsoft comprou. O nome do produto deles era ZCam. Aí eu pergunto, o que o tal do Alex Kipman fez? Deu a idéia de usar a ZCam em um console de videogame? Parece que sim né… Hehehe
    :)

    Enfim, acho que a iniciativa da MS é válida sim, mas se ela será usada direito ou não, aí é questão da software house, entendem? Eu falava a mesma coisa do Wii. Dos 100 jogos que eu tinha, apenas os da Nintendo prestavam (o RE4 é exceção, era o único não-nintendo q eu curtia), e por que? Simples, apenas o time de casa soube fazer o dever de casa e usar a tecnologia da melhor forma possível. Lembro que houve uma Tech Demo do Kinect usando o jogo Burnout Paradise, aonde para acelerar era necessário colocar a perna à frente… Já é alguma coisa, mas sabe o que fica faltando? O Feedback… Ou seja, nunca haverá um simulador de carro, por exemplo, que seja decente, simplesmente pela falta de feedback. A falta da pressão no pedal e até mesmo desafio do volante, já estragam e muito a sensação de imersão em uma simulador, cujo objetivo é exatamente a imersão!

    A discussão é muito complexa, acho que dá sim para adaptarem e fazerem jogos muito legais em quase todos os gêneros, exceto simuladores, simplesmente pela falta de feedback.

    Obs.: Acho que vou usar esse comentário como post no meu blog pessoal… achei legal hauhhauuha espero que vocês gostem
    :D

    Posted by Bruno Julião on 14 November 10 at 1:19am [Reply]
  2. Acho a ideia do Kinect é algo sensacional para várias áreas, até mesmo dentro do Xbox quando você estiver usando o console como Media Center, mas dentro de jogos é outra história. O que a Microsoft não viu é que a Nintendo estava usando o sensor de movimento com a mesma função que um botão.

    Se você pegar No More Heroes verá que o movimento para “recarregar” a bateria da espada poderia ser trocado por um botão, o pointer em jogos como Resident Evil 4 tem a mesma função que o analógico direito, etc.

    Como você disse no texto, a ideia de um sensor é aumentar a imersão do jogador, porém não consigo me imaginar jogando Zelda sem usar um controle que simule e espada, por exemplo. Se o que a Microsoft quer é chamar a atenção dos gamers que não gostam dos gráficos do Wii acho que o PS Move terá muito mais sucesso que o Kinect, mas se ela quer fazer aquela sua tia comprar um console ela com certeza não ligará para “detalhes” como acelerar em um jogo de corrida.

    Posted by Emarx on 14 November 10 at 10:46am [Reply]
  3. É bem verdade que minha tia não ligaria para acelerar no jogo. Essa é mesmo a grande sacada para atrair um público diferente. Mas eu também acho que aí entra um outro problema: a longevidade dos jogos.

    Tenho uma priminha de 11 anos que ficou entediada com o jogo de boliche do Wii Sports em meia hora, quando veio aqui em casa. E é um jogo que permite um bocado de coisas.

    Só dei esse exemplo pra dizer que quanto mais superficial é a forma que você interage com o jogo, nem o jogador mais improvável e que conhece muito pouco sobre videogames ficará muito animado.

    O legal de jogar é ter controle do que acontece. Decidir se eu quero entrar à direita ou à esquerda, no caso. Se eu não posso fazer isso, em um jogo de corrida, me sinto mais assistindo que jogando.

    Posted by César Martins on 14 November 10 at 6:51pm [Reply]

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