Cyrus (2010)

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Posted 22 October 2010   Cinema, Crítica, Cultura

Aos que vão ao cinema atraídos pelos nomes de John C. Reilly e Jonah Hill esperando uma comédia de conteúdo nonsense irão cair do cavalo, pois a última coisa que Cyrus é, é nonsense. John (Reilly) é um editor freelancer e ex-marido de Jamie (Catherine Keener) com quem mantém amizade, mas ainda não superou o fato de ela o ter deixado. Com a vida de cabeça para baixo, John acaba aceitando o convite de Jamie para ir à sua festa de noivado onde após algumas tentativas frustradas de se aproximar de algumas mulheres (e alguns copos de Red Bull com Vodka depois) acaba conhecendo Molly (Marisa Tomei). Os dois começam a ter um caso e John descobre que Molly vive com seu filho de 21 anos Cyrus (Hill). No começo Cyrus aceita a relação dos dois de forma muito madura, mas logo descobrimos que por trás de um muro de maturidade, o garoto esconde uma personalidade problemática e completamente possessiva em relação à mãe.

O tema da aceitação de um garoto em relação ao novo namorado da mãe nem de longe é novo, porém em Cyrus ele é tratado de uma forma bastante sóbria e madura. Os personagens são muito bem apresentados e seus intérpretes adotam uma encenação das mais naturalistas. A linguagem do filme compete para isso, uma fotografia truculenta e uma câmera que lembra muito a de cinegrafistas amadores. Parece-me que desde 1998 – ano de lançamento dos primeiros filmes do Dogma 95 – essa linguagem vem sendo constantemente aplicada a diversas modalidades de filmes, desde dramas até comédias. Contudo, apesar de ser uma linguagem que ajuda em muito a dar o clima “naturalista” a que o filme se propõe, aqui ela não é de todo bem executada, principalmente (e quase exclusivamente para ser sincero) em relação aos diversos “zooms” que lembram vídeos de casamento e aniversário.

Cyrus, Molly e John (J. Hill, M. Tomei e J.C. Reilly)

Apesar de sua câmera – e as vezes edição – deficientes, Cyrus é um bom filme, mas porque os diálogos e os atores conseguem não deixar a peteca cair. Como eu disse no começo, os que vão ao cinema esperando mais uma comédia nas carreiras de John C. Reilly e Jonah Hill irão se decepcionar um pouco, pois Cyrus embora tenha momentos engraçados não é essencialmente uma comédia. Talvez alguns possam considerá-lo uma “dramédia”, mas o fato é que Cyrus abusa tanto de um pretenso realismo que é difícil catalogá-lo. Sugiro então ir ao cinema apenas para ver um filme, sem nenhum tipo de idéia pré-concebida sobre ele.

Cyrus (Idem). Direção: Jay Duplass e  Mark Duplass, com John C. Reilly, Jonah Hill, Marisa Tomei e Catherine Keener.

Estréia dia  29 de outubro.

Apresentado na 34ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo.

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