Lugares, Estranhos e Quietos

Nogami presenteando Wenders com seu livro
Posted 21 October 2010   Arte, Cultura, Eventos

Nesta última quarta-feira começou no Masp a exposição de fotografias de Wim Wenders chamada “Lugares, Estranhos e Quietos”. A exposição faz parte da 34ª Mostra de Cinema de São Paulo, a qual concedeu uma coletiva de imprensa com o cineasta/fotográfo/pintor; nós do GeeX! (que não somos bobos nem nada) estávamos lá!

a cratera na Austrália: a maior foto da exposição

A exposição conta com 23 fotografias do cineasta, tiradas ao redor do mundo e todas inéditas no Brasil. São sempre lugares vazios, aparentemente desolados mas que trazem consigo histórias, perguntado sobre a diferença entre suas fotografias e seus filmes (ele já declarou que os melhores filmes são sobre conflitos humanos), Wenders disse que todos os lugares são resultado de algum conflito humano e que “(…) você pode aprender mais sobre as pessoas nessas fotos do que se eu tivesse as tirado de pessoas”. Com exceção (como o próprio Wenders apontou) de uma belíssima e gigantesca foto de uma cratera de um cometa na Austrália, todas as fotos são de construções ou localidades habitadas por pessoas e todas elas gritam, mesmo em silêncio.

praticamente um Hopper

Embora a exposição pareça um contra-ponto ao cinema de Wenders (nem tanto se nos lembrarmos do começo de Paris, Texas, por exemplo), sua atividade de fotógrafo não o é. “Minha escola de fotografia foi a pintura (…) tudo o que sei de enquadramentos e fotografia veio da pintura” e acrescenta ” o bonito é que esse vício (a fotografia) vem com um outro vício: viajar (…) sou um fotógrafo viajante (…) e esse é meu primeiro trabalho”. De fato, a obra cosmopolita de Wenders faz jus à sua personalidade e suas fotografias muitas vezes evocam pinturas, seja pelas cores ou pelas texturas; logo na entrada há a melhor de todas – na minha opinião – Street Corner, uma esquina qualquer em Montana que nos remete automaticamente a um quadro de Hopper, talvez mais que a solidão a la Atget de sua obra. Aliás, “qualquer” é a palavra mestra, mas nunca de uma forma negativa. Se por “exposição de fotos ao redor do mundo” o leitor espera ver ícones de vários países irá se decepcionar, pois a beleza reside justamente no fato de os lugares fotografados serem totalmente inusitados e, por que não, aleatórios. A cidade de Salvador, por exemplo, é representada por uma janela; São Paulo por um duto de ar condicionado com musgo crescendo em cima – se o próprio Wenders não tivesse dito, jamais saberíamos que se trata de um heliporto na Avenida Paulista (o qual, segundo ele, estava esperando um helicóptero que não veio, então resolveu olhar o que havia em volta).

Além de sua exposição fotográfica, exibição de alguns filmes na Mostra (“Asas do Desejo”, “Paris, Texas” e “Um Filme de Nick”) e do lançamento da “versão do diretor” de “Até o Fim do Mundo”, Wim Wenders conta de seu mais recente projeto, um documentário em 3D sobre a bailarina alemã Pina Bausch, falecida no ano passado. Segundo o cineasta o futuro do 3D é o documentário, porque “não há nada mais cativante em 3D que a realidade”. Segundo Wenders, dentro de alguns anos, embora ainda deva haver animações e filmes de ficção em três dimensões, será na linguagem do documentário que o recurso poderá ser melhor explorado já que “3D é a mídia do futuro para o documentário”. Opositor ferrenho aos cenários de computação gráfica a la James Cameron, o cineasta declara: “há tantos lugares no mundo que deviam se sentir envergonhados de construir cenários em CG”, nada mais justo vindo de um fotógrafo viajante.

Nogami presenteando Wenders com seu livro

Já na metade da coletiva, uma agradável surpresa: a entrada de Teruyo Nogami, uma ex-assistente de direção de ninguém mais ninguém menos que Akira Kurosawa (que completaria 100 anos este ano), trabalhando em obras-primas como “Viver” e “Os Sete Samurais”. Nogami está no Brasil para acompanhar a Mostra e para lançar seu livro sobre o cineasta japonês.

A exposição “Lugares, Estranhos e Quietos” está no 1º andar do Museu de Arte de São Paulo, aberto de terça à domingo em horários variados. Os ingressos custam R$15,00 a inteira, R$7,00 a meia (para estudantes, professores e aposentados com comprovante), menores de 10 e maiores de 60 anos não pagam. Às terças a entrada do museu é gratuita à todos. A exposição fica em cartaz até o dia 09/01/11, não perca!

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