Lugares, Estranhos e Quietos
Nesta última quarta-feira começou no Masp a exposição de fotografias de Wim Wenders chamada “Lugares, Estranhos e Quietos”. A exposição faz parte da 34ª Mostra de Cinema de São Paulo, a qual concedeu uma coletiva de imprensa com o cineasta/fotográfo/pintor; nós do GeeX! (que não somos bobos nem nada) estávamos lá!
A exposição conta com 23 fotografias do cineasta, tiradas ao redor do mundo e todas inéditas no Brasil. São sempre lugares vazios, aparentemente desolados mas que trazem consigo histórias, perguntado sobre a diferença entre suas fotografias e seus filmes (ele já declarou que os melhores filmes são sobre conflitos humanos), Wenders disse que todos os lugares são resultado de algum conflito humano e que “(…) você pode aprender mais sobre as pessoas nessas fotos do que se eu tivesse as tirado de pessoas”. Com exceção (como o próprio Wenders apontou) de uma belíssima e gigantesca foto de uma cratera de um cometa na Austrália, todas as fotos são de construções ou localidades habitadas por pessoas e todas elas gritam, mesmo em silêncio.
Embora a exposição pareça um contra-ponto ao cinema de Wenders (nem tanto se nos lembrarmos do começo de Paris, Texas, por exemplo), sua atividade de fotógrafo não o é. “Minha escola de fotografia foi a pintura (…) tudo o que sei de enquadramentos e fotografia veio da pintura” e acrescenta ” o bonito é que esse vício (a fotografia) vem com um outro vício: viajar (…) sou um fotógrafo viajante (…) e esse é meu primeiro trabalho”. De fato, a obra cosmopolita de Wenders faz jus à sua personalidade e suas fotografias muitas vezes evocam pinturas, seja pelas cores ou pelas texturas; logo na entrada há a melhor de todas – na minha opinião – Street Corner, uma esquina qualquer em Montana que nos remete automaticamente a um quadro de Hopper, talvez mais que a solidão a la Atget de sua obra. Aliás, “qualquer” é a palavra mestra, mas nunca de uma forma negativa. Se por “exposição de fotos ao redor do mundo” o leitor espera ver ícones de vários países irá se decepcionar, pois a beleza reside justamente no fato de os lugares fotografados serem totalmente inusitados e, por que não, aleatórios. A cidade de Salvador, por exemplo, é representada por uma janela; São Paulo por um duto de ar condicionado com musgo crescendo em cima – se o próprio Wenders não tivesse dito, jamais saberíamos que se trata de um heliporto na Avenida Paulista (o qual, segundo ele, estava esperando um helicóptero que não veio, então resolveu olhar o que havia em volta).
Além de sua exposição fotográfica, exibição de alguns filmes na Mostra (“Asas do Desejo”, “Paris, Texas” e “Um Filme de Nick”) e do lançamento da “versão do diretor” de “Até o Fim do Mundo”, Wim Wenders conta de seu mais recente projeto, um documentário em 3D sobre a bailarina alemã Pina Bausch, falecida no ano passado. Segundo o cineasta o futuro do 3D é o documentário, porque “não há nada mais cativante em 3D que a realidade”. Segundo Wenders, dentro de alguns anos, embora ainda deva haver animações e filmes de ficção em três dimensões, será na linguagem do documentário que o recurso poderá ser melhor explorado já que “3D é a mídia do futuro para o documentário”. Opositor ferrenho aos cenários de computação gráfica a la James Cameron, o cineasta declara: “há tantos lugares no mundo que deviam se sentir envergonhados de construir cenários em CG”, nada mais justo vindo de um fotógrafo viajante.
Já na metade da coletiva, uma agradável surpresa: a entrada de Teruyo Nogami, uma ex-assistente de direção de ninguém mais ninguém menos que Akira Kurosawa (que completaria 100 anos este ano), trabalhando em obras-primas como “Viver” e “Os Sete Samurais”. Nogami está no Brasil para acompanhar a Mostra e para lançar seu livro sobre o cineasta japonês.
A exposição “Lugares, Estranhos e Quietos” está no 1º andar do Museu de Arte de São Paulo, aberto de terça à domingo em horários variados. Os ingressos custam R$15,00 a inteira, R$7,00 a meia (para estudantes, professores e aposentados com comprovante), menores de 10 e maiores de 60 anos não pagam. Às terças a entrada do museu é gratuita à todos. A exposição fica em cartaz até o dia 09/01/11, não perca!













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