Enfim Viúva (2007)
Enfim Viúva é um filme para mulheres. Antes que venham me acusar de sexista, machista ou qualquer coisa do gênero, adianto-me em dizer que não há nenhum demérito em ser um filme para mulheres, digo isso porque é importante ater-se a esse fato para assistir ao filme. Enfim Viúva fala de Anne-Marie Gratigny (Michèle Laroque), uma mulher acima dos quarenta mas que ainda se conserva bonita e principalmente com fome da vida. Anne-Marie é casada com o enfadonho Gilbert (Wladimir Yordanoff), um cirurgião plástico chato e arrogante, mas mantém já há dois anos um romance secreto com Léo Labaume (Jacques Gamblin), um construtor de barcos. Quando Léo conta que fechou um negócio com chineses – o que implica em trabalhar um ano e meio na China – propõe que Anne-Marie fuja com ele para poderem finalmente parar de se enconder. Anne-Marie aceita e neste mesmo dia Gilbert sofre um acidente de trânsito e morre. Essa seria a chance de Anne-Marie ser feliz com o homem que ama, mas sua família que vem para consolá-la parece insistir em enxergá-la arrasada e não a deixam em paz em nenhum momento.
O filme de Isabelle Mergault (que inexplicavelmente só chega ao Brasil agora) é uma comédia romântica misturada com comédia de erros e toques de humor negro. Há pontos realmente divertidos, como o funeral em que Anne-Marie, vendo sua empregada tentando sem sucesso auxiliar seu sogro a fazer xixi na moita, não pode deixar de cair no riso, mas todos pensam que ela está chorando inconsolável. Laroque está muito bem no papel principal e Gamblin é igualmente convincente, aliás os atores são realmente bons, ficando com Tom Morton (que interpreta Christophe, o filho estudante de medicina de Anne-Marie) o prêmio de pior atuação. Não que seja realmente ruim, mas se comparada aos outros é um tanto forçada para que seu personagem parece um chato… E é realmente um personagem que dá nos nervos.
O final foge do hollywoodismo clássico, mas não muito e, de uma maneira geral, Enfim Viúva agrada, mas agrada mais às mulheres com absoluta certeza. Essa história de mulheres de meia idade que ainda se sentem no início da vida, conseguem se libertar de um casamento sufocante (ou pelo menos de uma vida sufocante) para dar a volta por cima parece ter um grande apelo junto ao público feminino, o que é absolutamente compreensível. Há, contudo, um ponto no filme que não me agrada: Anne-Marie se esforça tanto para guardar de sua família o segredo de que tem um amante e pretende ir para a China, que se torna exaustivo. Sinceramente me irrita muito os roteiros em que um personagem tem como conflito principal esconder algo que claramente é mais fácil revelar. Anne-Marie não se permite revelar toda a verdade à sua família não para não magoá-los como repete diversas vezes para si mesma, mas para não entrar em conflito. Mas se você não se importa tanto com esse tipo de coisa, é uma boa pedida para uma tarde chuvosa de sábado, principalmente se você tem com quem assistir.
Enfim Viúva (Enfin Veuve) – Direção: Isabelle Mergault, com: Michèle Laroque, Jacques Gamblin, Wladimir Yordanoff e Tom Morton.
Estréia dia 03 de setembro











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