The National – High Violet (2010)

Posted 19 August 2010   Crítica, Cultura, Música

A capa é uma escultura do artista Mark Fox

Foi preciso um período de absorção e reflexão para finalmente sair uma texto sobre o novo álbum do The National, o aguardado High Violet.

Para quem foi no falecido Tim Festival de 2008, teve a sorte de presenciar a intensa apresentação da banda americana, que ali demonstrava provavelmente o ápice de sua maturidade musical com as músicas do álbum Boxer. Na época, alguns apontaram que apresentação foi mais “pesada” do que o devido, que para outros, não passou de pura baboseira de fãs do Interpol Joy Division perdidos na platéia.

High Violet não é exatamente uma continuação de Boxer, mas leva na mala as lições aprendidas nas árduas horas de estúdio que cunharam o som redondo de faixas como Apartment Story. Há neste novo trabalho uma grande sensação de que as faixas foram compostas, gravadas, regravadas e mixadas a exaustão. E provavelmente não foi em vão, vide que eles conseguiram entrar em terceiro lugar na tabela da Billboard deste ano.

Matt Berninger retorna com os seus graves que parecem prontos para destruir as caixas de som de seu computador. Na cozinha, junta-se a bateria mecânica de Bryan Devendorf, que já tinha mostrado seu grande leque de possibilidades nos outros álbuns do grupo (ou bem mais em faixas como o Mistaken for Strangers e Squalor Victoria).

A tríade que abre o álbum (Terrible Love + Sorrow + Anyone’s Ghost) é a razão pela qual muitos fãs e ouvintes casuais acabaram se perdendo no meio do caminho. Ambas parecem manter um mesmo tom, ou ao menos, não demonstram variação entre si. Este não é exatamente um defeito, mas sim uma característica diferente deste álbum, que exige a tal reflexão que comentei no começo do texto. É provável que em algumas semanas você cante “It takes an ocean not to break” ou algum refrão sobre ser o fantasma de alguém sem perceber da onde vieram essas melodias na sua cabeça.

Quando o sumido Sufjan Stevens surge com seus vocais fantasmagóricos em Afraid of Everyone, o álbum toma outra guinada para o melhor. É após esse clássico instantâneo que vem talvez a melhor música deste ano, Bloodbuzz Ohio. A faixa é aquela companhia perfeita para a troca de marchas quando você finalmente entra na estrada no fim de semana. Há algo ali quando o Matt canta que “(…) devo dinheiro ao dinheiro ao dinheiro que devo” que aumenta a dramaticidade de toda a história.

The National fez uma mistureba de emoções em High Violet, e talvez por perder um pouco da unidade do Boxer, transformou este novo trabalho em algo um pouco mais complicado de digerir. Mas podem ter certeza: quem der mais de uma chance para este álbum, terá um belo de um retorno ao longo dos anos.

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