A Origem (2010)
A Folha de São Paulo classificou a origem como uma tentativa do Christopher Nolan de alcançar títulos diferenciados de filmes, como Star Wars, de George Lucas em 1977, e Matrix, dos Irmãos Wachowski em 1999.
Na minha opinião, a tentativa não foi em vão.
Em A Origem (Inception), Cris Nolan conta a história de Cobb (Leonardo DiCaprio), um ser treinado para se infiltrar em sonhos para construir mundos e descobrir segredos.
A premissa soou bem interessante quando vi pela primeira vez. Após descobrir como muita gente discutia o filme tentando entender, realmente me interessei pelo filme. Depois de algumas semanas aguardando, fui conferir.
O filme é muito bom. Menos complicado do que achei que ia ser. A hype que a internet criou em torno do filme foi de desentendimento e complexidade enorme. Não concordo. O filme tem sim sua complexidade, mas apenas se a curiosidade mandar o espectador mais a fundo no mundo criado de Nolan. A história em si não é complexa a ponto de não podermos aproveitar e desfrutar do filme.
Nolan mostrou, mais uma vez, maestria em trabalhar com atores. Até Ellen Page (Juno) mostrou um trabalho de incrível qualidade. Os outros atores, até os menos conhecidos, mostraram grandes atuações em tela.
A Música foi algo que não me agradou um pouco, como a maioria das trilhas de Hans Zimmer. A trilha faz um ótimo trabalho nas horas de manter o suspense, mas senti uma falta de variedade em outros momentos do filme. Talvez tenha sido só uma má primeira impressão.
Nolan explica muito do que acontece nas cenas, mas, levando em consideração o que foi colocado em filme, é um mal necessário. Se o filme fosse menos explicado, ele seria menos apreciado pela maioria do público.
Sendo essa confusão o resultado de uma teia enorme de estudos e significados ou sendo apenas uma desculpa para fazer o público ir mais vezes ao cinema, A Origem vale a pena ser visto nas telonas. Sua complexidade traz um grande conforto de que a indústria do cinema não está perdida.
Vamos à interpretação:
Se voce ainda não assistiu A Origem, não prossiga.
<SPOILERS>
Quando saí da sessão de A Origem, estava bem confuso. Não sobre o filme, mas sobre o que as pessoas discutiram tanto sobre ele. Não achei nada no filme tão estranho a ponto de iniciar uma longa discussão.
Cheguei em casa, tomei um banho, jantei, e me toquei que tinha algo me incomodando sobre o filme. O nome da personagem de Ellen Page. Após uma visita rápida ao google e à wikipedia, resolvi procurar todos os nomes dos personagens do filme. Achei alguns resultados bem interessantes.
- Saito: Tamaki Saito. Psicólogo Japonês responsável pelo termo Hikikomori, que é aplicado a pessoas que escolhem o isolamento da sociedade (sozinhos ou em grupo). Entre os “sintomas”, Saito descreve um isolamento de si mesmo em espaços físicos ou psicológicos em até anos.
- Yusuf: Profeta islâmico que desperta devido a um pensamento originado de um sonho.
- Ariadne: Filha do Rei Minos e noiva do Deus Dionísio. Ajuda Theseus a superar o Minotauro.
Esses foram os nomes que consegui achar algo em relação ao filme. O problema é o quão conveniente é com o filme. Nolan definitivamente os colocou lá de propósito.
Uma outra conclusão que posso ter chegado engloba o final do filme. Se Cobb ainda está sonhando, fora do limbo, o que o mantém dormindo? Fiquei pensando que não haveria uma explicação para isso… a não ser…. se Mal estivesse certa. Quando Mal se joga do prédio, ela diz que não é o mundo real. E a projeção de Cobb para Mal parece ser muito mais inteligente do que as outras projeções… e até que os outros sonhadores. Quando Mal é abatida no forte na neve, ela vai parar no limbo com Fischer. Essas características, adicionadas a algumas falas que a Mal “de verdade” não fala no filme, dão a entender que Mal, na realidade, acordou quando pulou, e manteve Cobb dormindo depois disso. Outro fato que indica tudo ser um sonho é o fato de os filhos de Cobb terem a mesma idade quando eles “acordam” do limbo, quando Mal morre e quando ele os reencontra. Baseio essa interpretação por coisas que acontecem no filme, não pelos detalhes da aliança ou das roupas das crianças como muitos vem discutindo pela internet.
Catharsis é uma palavra grega que significa limpeza, purificação. Era a palavra usada no teatro grego em relação a um sentimento extremo entre um personagem e outro personagem ou entre um personagem e os espectadores. Quando Cobb fala de Catharsis no filme, ele se refere à relação de Robert Fischer (Cillian Murphy) com seu pai Maurice. A intensão de Cobb era retirar a idéia de Robert que Maurice era decepcionado porque seu filho não havia seguido em seus passos, limpando todo o ressentimento que Robert sentia pelo pai. Esse é um tipo de Catharsis entre personagens. No filme, também, há uma Catharsis com o público. Quando Cobb conta o que fez com Mal, atingimos um ponto de não saber o que sentir sobre ele. Suas intenções foram claramente as melhores, mas acabam destruindo Mal depois de acordarem. É interessante ligar as frases de Cobb sobre Catharsis com o final que ele proporciona.
Em uma observação pessoal: O vilão Mal foi muito bem trabalhado nesse filme. Ficamos com medo de que ele apareça em todos os momentos do sonho final, e, quando ele realmente aparece, prendemos a respiração em desespero.
Essas divagações são de opinião minha… estou aberto a discussões pelos comentários
A Origem (Inception) - Direção: Christopher Nolan, Com: Leonardo DiCaprio, Ellen Page
Entrou em cartaz no último dia 6 de Agosto.












Qto mais converso sobre as visões desse filme, acho mais interessante fazer um podcast só sobre ele hehehe
A ideia de suicidio implicita no filme.
o filme trata a realidade com subjetividade, e a ilusão uma forma de se movimentar dentro da felicidade, cidades criadas em minutos, lugares incriveis e felicidades duradouras em pouco espaço de tempo. Enquanto de contra ponto a vida no mundo fisico as coisas são dificeis e as leis impede a satisfação completa do ser. Quando Mal percebe que nao é feliz se mata e planta essa ideia na cabeção de Cobb, ele luta contra a ideia. Mais ao chegar no limbo onde ele esta numa escuridão profunda e confunde Mal com Ariadne ele esta em uma luta interna, e confuso entre a emoção e a razao. Uma coisa que muitas pessoas não percebeu é que Cobb morreu no filme a nossa realidade não passava de uma camada de sonho.
A idéia era deixar isso no ar. E isso fica no ar, Alexandre. Cobb ter morrido ou não é um dos muitos finais possíveis. Mas isso resolveria a vontade de Nolan pra “resolver” a situação do personagem.
Valeu pelo feedback.
Spoiler:
pra mim, o filme é uma escada de penrose como a mostrada na história. a gente segue vários elementos( alianças, roupas, nomes) para conseguir construir uma interpretação, mas acho até que é impossível chegar a uma conclusão definitava, e provavelmente era essa a idéia do Nolan.
acredito que você se equivocou, ele não esta mais sonhando….apenas um fato comprova isso…e discordo de algumas coisas que comentou, vou citar um exemplo: em relação a idade das crianças…de gato o filme no começo não fala quando a sua mulher faleceu e a quanto tempo ele esta trabalhando naquilo…e em relação a crianças, no telefonema percebe-se que elas não cresceram muito…e a historia continua tendo que uma pessoa velha nao demora muito pra morrer qnd ta internada, ou seja..nao passou mto tempo e as crianças nem cresceram…o que nos colocar a pensar que ele voltou ao mundo real
Renan, vc chegou a ouvir nosso podcast discutindo esses e alguns outros pontos do filme? Dê uma olhada http://wp.me/pE8wD-1MB