Programadores Artistas
(Victor Pardinho ) :: victorpardinho@gmail.com
Olá pessoas do GeeX! Como estão? Primeiro uma breve apresentação, me chamo Victor e sou novíssimo aqui no GeeX!, estou aqui com o intuito de escrever um pouco sobre um assunto que acaba juntando as duas coisas em que sou mais interessado, nerdismo e arte. Pois é, estou aqui para discorrer sobre o que acaba sendo chamado de diversas maneiras, como arte digital, cyberart, arte e tecnologia, coisa de nerd, fez no computador, e etc.. Eu, particularmente e depois de infindáveis discussões teórico-filosóficas e algumas alucinações, gosto e prezo por chamar tais criações de arte computacional.
Deixarei para algumas colunas especiais assuntos que tratem de quando programadores começaram a sair dos confins de seus porões para se esbarrarem com artistas e começarem toda essa conversa, além de outros assuntos relevantes. Também esperem nesse espaço dicas de exposições, oficinas, cursos e qualquer evento que esteja acontecendo nesse campo, além de dicas e especiais sobre programas, livros e maneiras de se começar a brincar com as diversas ferramentas desse meio, que engloba não só a arte e a programação, mas também questões importantes do design e do áudio-visual.
Para começar e deixar claro para quem ainda não entendeu direito que raios tudo isso se trata, irei aproveitar um evento mundial que é o pai de todos, o Ars Electronica, que acontece na Áustria e que em junho fez sua premiação, considerada o Oscar da arte computacional, o Prix Ars Electronica – tendo inclusive dois projetos brasileiros sendo honradamente mencionados.

Um evento Hollywoodiano de fato
A premiação engloba várias categorias, entre elas, animações computadorizadas, música digital e sound art, arte híbrida, comunidades digitais e outras três, sendo uma delas a que mais nos interessa e a que mais obtém repercurssão mundial, a categoria chamada Interactive Art.
(Antes vamos só abrir um parênteses para deixar os parabéns para a galera do CulturaDigital.br pela menção honrosa na categoria comunidades digitais, parabéns!)
Agora, nada melhor para traçar o que vem acontecendo de melhor na arte computacional atual do que darmos uma olhada nos projetos mencionados pelo Prix Ars Electronica e principalmente pelo incrível grande vencedor e termos uma idéia do tamanho potencial que orbita entre toda essa galera.
Começando por um projeto chamado Talking Doors, criado por Julijonas Urbonas, que transformou cinco portas de locais públicos de sua cidade, Vilnius, capital da Lituânia, em instalações interativas. Cada porta possui uma característica diferente, onde a chamada “Sounding Door” que lembra a boa e velha porta-auto-satisfatória do “Guia do Mochileiro das Galáxias” reproduz sons toda hora que é aberta ou fechada pelas pessoas que passam por ela, mudando de som conforme o tempo passa, sons esses que foram criados pelos próprios estudantes da Academia de Música da Lituânia, onde a “Sounding Door” faz o seu papel de porta de entrada. Já a “Hesitating Door” que se trata de uma antiga porta grande de madeira, que funciona como porta de entrada da Igreja de Todos os Santos de Vilnius está sempre em dúvida se deve fechar ou permanecer aberta. Em contradição ao estilo da “Hesitating Door” a porta futurista da prefeitura de Vilnius se transformou na “Democratic Door”, que funciona de uma maneira muito interessante, qualquer pessoa pode entrar no site do município e deixar o seu voto em uma enquete que pergunta o quanto a democracia da cidade esta aberta ao cidadão em uma escala de 0 a 10, as pessoas votam e a média é transferida para a porta que por sua vez se fecha conforme a média abaixa ou se abre conforme aumenta, afetando assim diretamente a vida de quem faz parte da política da cidade ou simplesmente funcionando como um “gráfico” bastante inovador.
Enfim, o trabalho de Julijonas Urbonas é bastante interessante e merece ser repercutido, o site do artista contém textos conceituais muito bons explicando todo o projeto e não deixem também de assisir o vídeo com a “Hesitating Door” lutando contra o seu dilema ao fundo, no site pode-se assistir também um vídeo único sobre a “Democratic Door”.
Lucas Bambozzi é um dos brasileiros importantes nesse campo atualmente e não por menos foi contemplado com a menção honrosa do Prix Ars Electronica, com o seu projeto Mobile Crash, um projeto muito bem executado que é um bom exemplo de alguns tipos de projetos nessa área onde a execução técnica acaba sendo o centro, como podemos perceber no vídeo de amostra onde ao contrário do que acontece no Talking Doors eles procuram explicar muito mais o funcionamento técnico do que questões conceituais, sem mais delongas, se tiverem interesse, não deixem de assistir a esse vídeo que explica muito bem como tudo funciona e da para ter uma noção inicial do que rola nos programas que existem por trás dessas criações.
Outro projeto que merece ser comentado é o “Chapter I: The Discovery” de Félix Luque Sánchez, é uma criação relativamente simples mas que cria uma ambientação e uma discussão muito interessante, tudo roda em volta de um estranho objeto geométrico que responde à presença das pessoas de uma maneira simbolicamente hostil, porém o destaque fica no formato que Félix desenhou a apresentação. Na primeira parte, no primeiro andar, o espectador é convidado a assistir diversos vídeos sobre o tal objeto, onde ele está em diversos locais diferentes, em diversos tempos diferentes, reagindo sempre de uma maneira peculiar, criando uma ambientação de mistérios e até medo entre o espectador e o objeto, já na segunda parte, o sujeito é convidado ao segundo andar, onde em uma sala bastante escura e medonha o objeto está lá, presente e quieto no escuro, e então reage conforme percebe a presença e acompanha todas as ações do espectador fazendo com que essa ligação chegue ao seu ápice, ou não. Lembrando bastante a famosa cena do encontro dos astronautas com o monólito na inigualável Odisséia Espacial.
Para fechar essa primeira coluna nada menos do que o vencedor do Golden Nica do Prix Ars Electronica, o prêmio mais importante do festival e do mundo da arte computacional.
Tudo começa com um time formado por membros de importantes laboratórios como o Free Art and Technology, The Graffiti Research Lab entre outros, além da participação de Tony Quan, ou TEMPTONE, um legendário grafiteiro e ativista de Los Angeles que se juntaram para criar o “EyeWriter”. Em 2003, Tony Quan foi diagnosticado com uma doença chamada ELA (esclerose lateral amiotrófica) que fez com que ele perdesse todos os movimentos de seu corpo a não ser o movimento de seus olhos, e desde então este time vem pesquisando e desenvolvendo um dispositivo de baixo-custo, totalmente aberto e livre que possa mapear o olhar e assim se tornar possível criar imagens somente com o movimento dos olhos.
O resultado até agora acaba sendo simplesmente impressionante, fazendo com que essa lenda do grafite volte a ter toda a sensaçao e a alegria de fazer o que mais gosta em sua vida, não simplesmente desenhando com os olhos mas também grafitando, nesse caso, a parede do próprio hospital. Através de câmeras, mapeamento e projeções, enquanto Tony Quan desenhava com os olhos em seu quarto esse desenho era enviado em tempo real a um sistema de projeção que grafitava digitalmente a parede do hospital, em uma escala enorme e ao vivo, podendo ser visto por todas as pessoas que estivessem nos arredores. Simplesmente incrível e totalmente justo ao ser anunciado vencedor do grande prêmio, não deixem de assitir ao vídeo que é bastante emotivo e explica muito bem como funciona o projeto.
O game Flower de PS3 – que eu me odeio por nunca ter jogado pela falta de ter um PS3 em meu comando – também acabou ganhando uma menção honrosa nessa categoria.
Para saber mais:
http://www.aec.at/index_de.php
http://www.julijonasurbonas.lt/projects/project/talking-doors/
http://bambozzi.wordpress.com/projetosprojects/mobile-crash/










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