The Black Keys – Brothers (2010)

Posted 10 June 2010   Crítica, Cultura, Música

A capa é pura homenagem ao melhor dos anos 70

Você tem que ser completamente surdo para ignorar o barulho que essa dupla de Ohio faz. Sério mesmo.

A primeira vez que tive contato com a música do The Black Keys foi em um distante 2002, quando a banda surgia do underground de sua cidade natal para alcançar os holofotes traiçoeiros da Mtv. Na época eles foram injustamente comparados com o The White Stripes. Foram necessários anos para a poeira baixar e logo as diferenças – gritantes, por sinal – entre as duplas surgiram.

O lançamento do Brothers, deste ano, vem para comprovar que os dois nerds musicais são verdadeiras metralhadoras ambulantes de puro blues, rock e até soul em seu formato mais efervescente. Já nos primeiros segundos da abertura da faixa Everlasting Light, os falsetes do menino-prodígio Dan Auerbach mostram que esse álbum vai ter muita alma para entregar e é melhor se prepara com firmeza. Na continuação, Next Girl, um ode aos pesadelos de ex-namoradas, é a que mais bebe da crueza e acidez de seu álbum anterior, Attack & Release, mas não deixa de respirar em ares de um single honesto e direto.

Mas é a Tighten Up que catapulta os teclas pretas à escadaria de preciosidades do rock’n'roll. Uma faixa simples, com uma linha de baixo grudenta e assovios simpáticos, que narra as tortuosas curvas do amor. Cantada com enorme honestidade, a letra parece escrita por alguém com ao menos 50 anos de idade, se não fosse que o vocalista e guitarrista Auerbach tem apenas 31 anos de idade. Essa firmeza na postura é demonstrada por mais músicas do álbum, que em momentos lembram os melhores solos com fuzz do Cream (na She’s Long Gone), a amargurada realidade do Muddy Waters ou o sofrimento concentrado dos melhores álbuns da Stax (a bela Never Give You Up).

Não podemos ignorar também o econômico e preciso trabalho da outra metade da dupla, Patrick Carney, que mantém um interessante groove em faixas como The Only One. Muito do Brothers também se deve as experimentações que a dupla fez no projeto paralelo Blacrok, que contava com a participações de rappers como Mos Def e a Nicole Wray.

Se você ainda não se sente convencido em experimentar o Black Keys, bom, paciência, você invariavelmente está perdendo uma das melhores bandas da atualidade. Fique torcendo para a turnê de reunião de sua banda mais antiga.

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