GeeX! Especial: Penna Filho

Posted 14 May 2010   Colunas, GeeX! Entrevista

O diretor Penna Filho é de uma velha-guarda do cinema brasileiro que tende a desaparecer. Radicado em Santa Catarina, ele apresenta o seu mais novo projeto na 3ª Virada Gastronômica, evento que ocorre junto da Virada Cultural em São Paulo, onde os participantes podem desfrutar de um evento que é uma maratona que atravessa a madrugada intercalando filmes temáticos com intervalos degustativos.

Na cola da divulgação de seu novo filme, Doce de Coco, o diretor aproveitou o seu tempo disponível para conversar com o GeeX! sobre o processo de criação e divulgação do projeto. Conforme conversamos, as raízes do filme vêm de 1973, quando o diretor começou a dar as primeiras pinceladas no roteiro. Na época ele recebeu uma oportunidade de um investidor, que queria trabalhar em um filme tendo como base a cidade de Aparecida. Ou como nas palavras do diretor:

“A idéia do filme surgiu na fase em que eu buscava uma linha mais autoral, depois de me submeter a tantos trabalhos de encomenda, filmes de produtor da ‘boca do lixo paulista’, como se chamava a região da cidade de São Paulo que concentrava produtoras e distribuidoras. Mas sua realização tornou-se inviável a partir do que aconteceu com o filme ‘O diabo tem mil chifres’, que escrevi e dirigi em 1970, onde eu introduzi referências ao momento político que atravessávamos. Com a censura forte, a exemplo de outros realizadores, servi-me de metáforas e simbolismos. O filme caiu nas malhas da censura e eu fiquei sem trabalho, pois o núcleo de produtores ao qual estava ligado não tinha interesse em discutir política e a nossa realidade.”

Numa desavença com o produtor, que preferia um filme com tom mais dramático, Penna pausou o projeto, já que queria buscar um tom mais cômico a história.

“Se extraísse todas as referências políticas e sociais até poderia ter feito o filme ainda nos anos 70, mas não tinha mais disposição para fazer concessões e preferi me dedicar ao tele-jornalismo.

A diferença para o projeto original está na liberdade de expressão de hoje. Então, me foi possível fazer a comédia de fundo social que pretendia, com todas as referências políticas e ideológicas aparecendo de forma clara e não mais por intermédio de metáforas e simbolismos.”

O diretor apontou uma preferência à temática social, vínculo esse que ele quis manter ao filmar Doce de Coco.  Ainda por cima, gosta da realidade, querendo expor ao público as marcas deixadas pelo Golpe de 64.

Ainda mais por sua ênfase em direcionar seus trabalhos para instituições de ensino, como escolas, universidades e entidades sociais, o diretor mantém a urgência de seu trabalho ativa por entre a cultura brasileira.

Então, aproveite novamente o momento da 3ª Virada Gastronômica e deguste do Doce de Coco, tanto a sobremesa quanto o filme.

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