Foals – Total Life Forever (2010)
Numa época em que “mandar um MGMT” significa pisar na bola ao compor o seu segundo álbum, é sempre importante ficar atento nas experimentações que você fará ao lançar uma aguardada continuação.

A banda flutuando no mar na capa do "Total Life Forever"
Voltando de um estrondoso álbum de estreia, os ingleses do Foals tentam lidar com a temível onda hype, focando em uma continuação que muda certos elementos do Antidotes (para o bem ou para o mal).
Aparentemente, os desentendimentos do vocalista e guitarrista do grupo, Yannis Philippakis, com o Dave Sitek, produtor do álbum anterior, parecem ter surtido efeito na direção do Total Life Forever. Foram-se embora os metais vindos da linha de timbres do TV On The Radio, que para alguns não serviam de nada, já que a banda nunca levou uma “cozinha” de trompetes aos seus shows. Além disso, há uma diminuída na intensidade e velocidade de algumas composições, dando espaço para uma mistura que em momentos lembra os tempos áureos do Bloc Party.
Uma Blue Blood abre o álbum, com uma sonoridade que de início parece a faixa perdida do novo álbum do Fleet Foxes. Pode não ser para tanto, mas logo o eco sai e dá lugar aos estranhos e divertidos riffs do grupo. Miami entra na sequencia, com um estilo que parece uma mistura do final dos anos 80 com o começo dos 90, jogando aí umas pitadas de Red Hot Chilli Peppers. Talvez pelos próximos dois anos ouviremos cada vez mais a retomada de elementos conhecidos de nossa infância, sendo que mais e mais bandas trarão influências noventistas. Até aí, nem tanta novidade, como já havíamos discutido anteriormente por aqui.
Na continuação, a faixa-título e a Black Gold mantém um ambiente divertido, com uma diferença nos vocais de Yannis, que dessa vez tendem para uma tom mais sóbrio e grave, que ganham maior destaque na música “chave” do álbum, Spanish Sahara. Radicalmente diferente das outras composições da banda, apresenta um Foals mais reflexivo e até poético, onde as letras de Philippakis discorrem sobre uma assustadora memória de sua infância. O single The Orient vem logo depois, satisfazendo os fãs mais receosos de mudanças. A intensa After Glow é a segunda faixa mais longa do álbum, mas dá espaço para uma interessante e poderosa jam em seu bloco final, algo que ao vivo será no mínimo quatro mil vezes melhor.
Com uma alavancada na maturidade e experimentações bem dosadas, o Foals mostra mais uma vez ser uma das bandas mais interessantes da atualidade, misturando composições cerebrais com ritmos dançantes ao melhor estilo inglês. Isso sem falar desse estranho corte de cabelo deles. Mas aí fica pro pessoal de estilismo.










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