Cibelle – Las Venus Resort Palace Hotel (2010)

Posted 29 April 2010   Crítica, Cultura, Música

A brasileira Cibelle se chama agora Sonja Khalecallon.

Sonja entre o fim do mundo e o Carnaval

Não confunda isso, já que uma vez que você der play no Las Venus Resort Palace Hotel, será rapidamente catapultado para um universo pós-apocalíptico recheado de figuras peculiares e burlescas.

Bebendo de uma fonte repleta de misturas que vão da tropicália, o psicodélico, a bossa nova, ao latino e além; a cantora novamente trabalha com releituras de canções famosas (ou nem tanto), misturando-as com criações próprias. Como um bom álbum conceitual, a nossa querida “mestre de cerimônias” nos apresenta a este novo ambiente na faixa propriamente chamada de Welcome, descrevendo um mundo destruído que conta com uma banda tocando no cabaré mais maluco do universo. Quase que grudada, a Underneath The Mango Tree (sim, do 007 Contra o Satânico Dr. No) traz uma nostalgia do começo dos anos 60, misturada com uma vibe psicodélica que só poderia ser comparada a uma versão intergaláctica da Carmem Miranda nos vocais. É sedutor, exótico, brasileiro e gringo ao mesmo tempo, tudo o que era de se esperar desta paulistana.

Nesse ambiente meio ao estilo dos quadrinhos do Moebius, a Man From Mars sintetiza uma base eletrônica com batidas intensas, criando aí um dos singles diretos (ou indiretos) do álbum. O cover de Lightworks, de Raymond Scott, também é bem competente, porém a Sad Piano, embalada por um tom minimalista e triste, encerra o “lado A” de nossa visita por este estranho hotel.

A apropriadamente intitulada Frankenstein recomeça a jornada, dando espaço para a semi-trágica Escute Bem, onde o português bem falado aparece como um tapa na cara dos ouvintes. Sobra uma pequena tristeza pela Cibelle não ter explorado mais composições em português, deixando uma sobra para a intensa Sapato Azul, onde ela divide as guitarras com o Fernando Catatau, do Cidadão Instigado.

Com muita parafernália na mão e um samba cósmico na alma, Las Venus Resort Palace Hotel é um álbum que te exige uma boa vontade, mas é feliz ao lhe entregar momentos vindos de um filme de ficção científica de uma outra vida.

Enfim, faça o que quiser, mas por favor, não alimente os macacos.

2 Comments

  1. Eu achei incrível. Concordo que não é um disco “fácil”, mas quem se liga num lance mais sensorial, lightleaks, psicodelismo e talz vai achar du caralho, assim como eu achei!
    Sensacional!

    Posted by Fernando on 30 April 10 at 2:24pm [Reply]
  2. Foda!!! Achei muito quente! Carmen Miranda misturado com Quinto Elemento, Moebius e muita piração em um conceito muito bem amarrado. Sem contar que é muito bom ver que nem toda cantora brasileira quer ser a Marisa Monte. Parabéns pela crítica Jairo, uma das que mais gostei. Don,t feed the monkeys!

    Posted by Guma on 30 April 10 at 5:33pm [Reply]

Leave a Reply