GeeX! Entrevista: Funkalleros

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Posted 24 April 2010   Cultura, GeeX! Entrevista, Música

A primeira vez que se depara com o som do Funkalleros, fica aquele pensamento de “Uau, como eles conseguiram fazer uns arranjos tão bacanas pro A Go Go do John Scofield sem serem piegas?”. Em alta após uma apresentação na famosa casa de shows aqui de São Paulo, o Bourbon Street, a banda aproveitou para trocar algumas palavras com a gente:

1. Como e quando vocês formaram a banda?

R: Formamos a banda em 2008. Eu (D’Angelo) e o baixista PH sempre fomos fissurados em funk. Quando conheci o baterista Carlos Contreras, que também adora o gênero resolvemos montar a banda que, a princípio era para ser instrumental. Era para ter um naipe de metais (sax, trombone e trompete) e um teclado. Mas logo no primeiro ensaio os caras dos sopros não foram. Desistimos deles e ficou um quarteto de teclado, baixo, bateria e guitarra. Começamos a ensaiar e a banda tava ficando com um som bacana quando o tecladista desistiu de fazer o som, alegando que tinha muitos projetos. Fizemos alguns ensaios em trio e no começo de um deles, o Marcelo Lemos, o outro guitarrista, ficou tocando na minha guitarra enquanto eu resolvia uns problemas e não chegava ao ensaio. Ficaram tocando Jeff Beck. Quando ele foi embora, o Carlos perguntou se não era legal chamá-lo para a banda. Eu e o PH ficamos meio na dúvida se duas guitarras funcionariam tocando funk.

Fotos por Mayra Azzi

Fizemos um teste e logo no primeiro ensaio as coisas foram muito bem. Acho que funcionou porque eu e o Marcelo temos estilos muito diferentes de tocar e acabamos desenvolvendo e usando essa diferença a nosso favor. Fizemos muitos shows com o Funkalleros instrumental. Tocamos no New Jazz Bar, Ao Vivo Bar, Hole Club, Espaço Paidéia entre outros. Em um dos shows, resolvemos chamar a cantora Alessa pra fazer uma participação. Cada músico escolheu uma música para ela cantar. Fizemos um ensaio e nos apresentamos pela primeira vez no CCPC na metade de 2009. Adoramos a apresentação e a presença de palco dela. Resolvemos fazer mais shows com mais músicas e nos apresentávamos como Funkalleros + Alessa. Foram shows ótimos. Café Piu-Piu, Bourbon Street, Auá Bar e Espaço Urucum entre muitos outros. No fim de 2009, incorporamos a Alessa aos Funkalleros. Hoje, nos apresentamos na maioria das vezes com ela. Uma vez ou outra tocamos instrumental.

2. Quais são as maiores influências da banda? Como chegaram a um acordo de quais bandas serviriam de “base” para o som do grupo (ou até, como trabalharam os arranjos para adaptar à banda)?

Fotos por Mayra Azzi

R: As influências são várias. Cada um tem uma preferência. No começo, quando banda era instrumental tentávamos fazer um funk que tivesse abertura para improvisação. Tinha muito de John Scofield, Jeff Beck, Billy Cobham e George Duke, Paul Jackson, Maceo Parker, Tower of Power, Red Hot Chili Peppers, Herbie Hancock na fase dos anos 70, Medeski Martin & Wood. Mesmo com influências em comum, cada um dos músicos trouxe uma coisa pessoal. Quando a Alessa entrou pra banda, focamos em músicas que não tivessem tantos solos e chegamos aos nomes que eram unanimidades. Commodores, Chaka Khan, Aretha Franklin, Curtis Mayfield, Jamiroquai, The Meters, Stevie Wonder. As escolhas são bem democráticas. Cada um leva várias músicas e há votações. As mais votadas entram no repertório.
Os arranjos variam. Como a nossa formação não é muito comum no funk, tentamos fazer as linhas de metais, ou de teclados, ou qualquer ruído que seja importante para uma das guitarras. Não costumamos deixar duas guitarras rítmicas. Passamos a desenvolver bem o uso dos efeitos. Às vezes quebramos a cabeça para tornar viável a execução ao vivo de alguns elementos, mas normalmente funciona. A bateria segura bem o groove e vem sempre com possíveis convenções, o essencial do funk. O bom do Contreras é que ele também dá ideias de ritmos para todos da banda, melodias e fica sempre ligado em algumas coisas que estão fazendo falta. O PH tem também muitas ideias para linhas de baixo e formas de música. Adora criar os finais das musicas e sempre vem com convenções mirabolantes. Tem um ouvido muito bom e suas referências trazem sempre algo a mais. A Alessa traz os backing vocals para nós. Consegue se sobressair no meio de tanta coisa acontecendo. Também entrou nessa de efeitos depois que comprou um pedal para voz.  Todos dão idéias para qualquer que seja a música.

3. A prática leva a perfeição ou a neurose?

R: Somos todos músicos. Adoramos o que fazemos. Estudamos muito para nosso próprio bem e para o bem da banda consequentemente. Na verdade, o funk é lado B aqui no Brasil, comparado a outros estilos como rock, sertanejo e axé. Muita gente acha que funk é fácil de fazer, mas é extremamente minucioso. Tanto a parte instrumental como o canto. A gente pratica muito e achamos que podemos sempre melhorar. Ensaiamos no mínimo uma vez por semana por duas horas. A neurose faz parte de nós já. Todo músico é meio neurótico. O importante é fazer isso funcionar a nosso favor. Nos damos muito bem nos vendo várias vezes por semana.

4. A cidade influencia vocês? Como?

R: A cidade influencia em tudo na vida. A música acaba refletindo as coisas que vivemos no dia-dia. O legal de viver em São Paulo é que sempre tem coisa rolando. Se quiser sair à noite, em qualquer dia, vai encontrar boa música ou bons lugares para ficar. As pessoas têm muitas informações de todos os tipos e cada um administra como pode. Descartar ou absorver vai de acordo com os interesses do indivíduo. Numa cidade grande como SP, vivemos sensações diferentes dependendo do lugar e da hora. Essas sensações vêm à tona quando está tocando.

5. Quais são as futuras direções do grupo?

R: Estamos finalizando a gravação de um CD com três músicas. Três versões nossas para músicas do Prince, The Jacksons e Commodores. Assim que terminar isso, queremos tocar muito por onde for possível. É para isso que montamos essa banda e é o nosso verdadeiro prazer. Renovamos o repertório e estamos cada vez mais chegando a um som com a nossa cara, mesmo que não seja autoral. Nosso repertório, inclui músicas menos conhecidas de gente muito conhecida e também músicas de gente pouco ou nada conhecida. Com isso, queremos ter um diferencial em relação a maioria dos grupos que tocam o estilo por aí, além de ampliar o repertório do público que conhece apenas os grandes sucessos do estilo. E também queremos mostrar que o funk não tem nada a ver com o funk carioca. É um gênero musical que devia ser mais respeitado do que é hoje e de certa forma tentamos contribuir para que isso aconteça. É algo universal e pouquíssimo feito no Brasil.

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Fiquem de olho nas datas de outros shows da banda:

Serviço:

  • Dia 23 de abril no CCPC (Centro Cultural Popular Consolação)
    Rua da Consolação, 1901 – Centro – São Paulo 
às 23:00 [R$ 10 com nome na lista ou flyer / R$ 15 na porta]
  • Dia 14 de maio no CCJ (Centro Cultural da Juventude)
    Av.Deputado Emílio Carlos, 3.641  
Vila Nova Cachoeirinha 
às 20:00 – FUNKALLEROS INSTRUMENTAL
  • Dia 04 de junho no Espaço Urucum
    Rua Belmiro Braga, 37 – Pinheiros – São Paulo – às 23:00 [preço a definir]
  • Dia 06  de maio no Espaço Kabul
    Rua Pedro Taques 124, Consolação – São Paulo – às 22:00 [preço a definir]

14 Comments

  1. Olá Pessoal
    Achei muito bacana essa banda Funkalleros. Realmente eles são bons, estive na Bourbon Street e pude comprovar.
    Um abraço

    Posted by Rosimar on 25 April 10 at 12:21pm [Reply]
  2. Também estive no show do Bourbon e tenho que concordar que os caras são muuuuito bons!

    Posted by Talita on 26 April 10 at 5:42pm [Reply]
  3. assisto os funkalleros desde o primeiro show instrumental, e cada show que passa estão cada vez melhores e refinados, vale a pena conferir!

    Posted by Bia on 27 April 10 at 1:31pm [Reply]
  4. Bah, sério, vocês vão me matar pelo comentário, mas que PUTAS fotos essas da Mayra Azzi, ficaram muito legais MESMO.

    Sim esse estágio de foto está fazendo eu ver melhor haha

    Posted by Mari Amaro on 28 April 10 at 11:56pm [Reply]
  5. FUNKALLEROS SAO ÓTIMOSSS!! ADOROOO!

    Posted by Juliana on 29 April 10 at 10:00pm [Reply]
  6. Sonzêra de primeiríssima qualidade, o batera é fera! Sem falar que os shows são sempre muito bem frequentados.

    Posted by Pedro Borelli on 30 April 10 at 1:24pm [Reply]
  7. Melhor banda atualmente no circuito alternativo. Imperdível.

    Posted by Otávio Melo on 30 April 10 at 3:18pm [Reply]
  8. Banda sensacional, som de primeira!!!!

    Abrasss

    Posted by Alex Batataria on 02 May 10 at 2:07pm [Reply]
  9. Caramba, quantos comentários! Obrigado a todos que enviaram sua opinião!

    Posted by Jairo Neto on 02 May 10 at 11:50pm [Reply]
  10. Já vi essa banda em um punhado de shows. É sensacional! Se tivesse botão de repet no palco eu apertava!

    Posted by Marcelo Bellintani on 07 May 10 at 11:47am [Reply]
  11. Banda imperdível, boa entrevista e boas fotos! Parabéns!

    Vale a pena procurar os próximos shows da banda e conferir ao vivo, nínguem se arrepende.

    Show!

    Posted by Renato on 22 May 10 at 2:33pm [Reply]
  12. é interessante nós tem o mesmo nome, nós somos de Austrália, eu sou argentino, mas nós jogamos muita música diferente, nós jogamos na maior parte a música original, mim demos forma a esta faixa em 2005, adeus

    Posted by Funka on 02 August 10 at 11:33pm [Reply]
    • Send us some material, we could listen and talk about it :)

      Posted by Felipe Muñoz on 03 August 10 at 10:54pm [Reply]
  13. we have a website
    http://www.myspace.com/funkalleros

    Posted by Funka on 04 August 10 at 12:46am [Reply]

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