A linda ilusão do 3D
Já parou para pensar que a vida real não tem motion blur, saturação de cores, desfoque de profundidade e nenhum outro tipo das belezas em alta definição que vemos enchendo nossos olhos nos cinemas e em nossas casas?
Há 40 anos atrás, um TV demorava 15 anos – pra mais – a ser trocada, hoje a cada ano temos avanços “significativos” em tecnologias de home-enterntainment.
A partir de junho, a Sony começa a pré-venda de seus televisores de LED com tecnologia 3D. Isso é importante, pois, apesar de já existirem televisores com tal tecnologia, o Blu-Ray 3D (uma das poucas mídias com suporte a tecnologia 3D) é uma exclusividade que a Sony irá segurar até o lançamento oficial de suas TVs em agosto. Apesar de já existirem jogos na Xbox Live com suporte a tal tecnologia, apenas a partir de agosto também, os PS3 poderão ser Blu-Ray Players 3D para jogos e filmes (ambos específicos).
Nesta semana, o filme Alice, de Tim Burton estreiou. A crítica parece partilhar da mesma opinião. Um filme bem feito, que entretem, mas não acrescenta nada. Seria uma opinião diferente do que sobre Avatar? A indústria cinematográfica está apostando pesado na teoria de que 3D vende mais e é a salvação para os cinemas: de 2005 a 2008, 13 títulos foram distribuidos neste formato; em 2009, 18 títulos e programado para este anos estão mais 20 novos filmes.
Muitos, com certeza, são animações infantis – ainda a solução mais viável para essa mídia, e a que se adapta melhor a tecnologia. Porém já existem programados filmes 3D que visam desmistificar que a tecnologia seja apenas “eye-candy“, mostrar que ela é valida como nova forma de linguagem para a sétima-arte. Mas será mesmo? Ou estamos apenas tentando provar a nós mesmos que 3D vale a pena?
Nesses anos todos que fomos trocando de televisão, o intuito era ter sempre a melhor imagem e o maior conforto. Estamos prestes a trocar isso por experimentar algo que não conhecemos, e por um alto preço. Qual será a conseqüência de usar por horas um óculos que muda nossa visão para um modo que não estamos acostumados a ver? Os óculos das novas TVs Sony desligam automaticamente depois de 4 horas de uso, obrigando que você os ligue novamente, será só para economizar bateria mesmo. A longo prazo, seria isso mais prejudicial do que sentar a 10 centímetros da TV como fazíamos quando criança (um problema com solução sugerida apenas hoje em dia)?
Não é ceticismos, ou teoria da conspiração. Apenas acho que o estardalhaço sobre as produções 3D ainda é muito maior do que a qualidade das coisas que temos pra avaliar como revolução.
Hoje vou atrás de comprar ingressos para ver Alice, semana passada vi “Como treinar seu Dragão” em 3D. Estou tentando, fortemente, entender todo o porque dessa expectativa, dessa aposta em uma técnica com mais de 100 anos e que nunca foi explorada desta forma antes. As pessoas clamam que os números nas bilheterias são a prova de que o 3D é o caminho certo, mas se esquecem (ou querem esquecer) que assim como nunca tivemos tantos filmes feitos e exibidos em 3D, também nunca tivemos tanta gente no mundo, e muito menos tanto marketing e publicidade explodindo aos olhos.
Sem dúvida a Sony é a melhor empresa para fazer essa tecnologia penetrar em nossas casas, ela controla todas as forma possíveis e necessárias para implementar, criar e nos fazer desejar ter tudo isso em nossas casas. Apenas continuo me perguntando se de fato isso é A EVOLUÇÃO, quando é muito mais óbvio que apesar de todos amarem alta definição e qualidade de imagem, a necessidade humana voltasse cada vez mais à criação, busca e disseminação de conteúdo – e por isso vejo como um avanço tecnológico muito mais interessante a introdução da TV com acesso a internet em uma interface própria para buscar conteúdo em vídeo em diversos canais.
Até o final do ano novas câmeras fotográficas com captura 3D estarão ao alcance de todos interessados, com isso é possível que vejamos sim o que a experimentação, necessidade e saturação desse material pode fazer – assim como poder acompanhar a exploração deste material pelos usuários. Para tanto você vai ter que comprar uma tv nova, um blu-ray player novo (pois os antigos não tem atualização de firmware), óculos novos e um notebook novo, e aconselho de coração que não o faça agora, na sede de ser um early-adopter.
Quem quiser ver com os próprios olhos, as lojas da Sony já estão com TVs 3D em seus mostruários, passando Deep Ocean, alguns jogos de PS3 (Motorstorm, Stardust e Pain), trailers de “Está Chovendo Hambúrguer” (que será o primeiro longa a ser lançado em Blu-Ray 3D) e imagens do carnaval deste ano e de futebol. Devo confessar que ver os documentários e o carnaval com os óculos 3D é fantástico, e todo o resto parece dispensável, mas eu vi por no máximo 2 minutos, ainda questiono o cansaço de ver 2h de material assim.
Para acabar com a euforia de todo o hype sobre o 3D em casa, repito as palavras que um representante da NET fez na coletiva da Sony, onde vi a maior parte dessas novidades: 2010 é o ano da primeira Copa em HD, não em 3D. Ainda temos tempo até 2014.










Concordo com tudo que foi dito sobre as tv’s 3d… mas cara vc já foi em um cinema IMAX? Velho aquilo sim é cinema 3d!
Então Jotadê, eu fui ver Avatar no IMAX, do Bourbon Pompéia em São Paulo. É magnifico, é lindo, exuberante, mas como eu disse é “eye-candy”, acrescentou algo ao filme? O filme aliás é até mais bonito, com cores mais vivas e menos discernimento entre o que é CG e humano em 2D. Veja bem, eu acho 3D muito legal, é chamativo, é diferente, mas… é necessário todo esse estardalhaço que vem sendo feito sobre? “Como treinar seu Dragão” vi no Cinemark em Real3D. O filme é excelente, a história, os personagens, e o 3D deixa os cenários como se você realmente estivesse presente naquele lugar, até que a magia se quebra quando você percebe um desfoque de camera (natural quando se trata de primeiro/segundo plano) cortado pelos “limites” da tela do cinema. Vou tentar ver Alice no IMAX, pq é um filme com pessoas “reais”, mas ainda é uma situação surreal. Citando meu amigo-redator Jairo: “Quero ver um road-movie filmado em 3D, aí sim.”
Ótimo texto, Felipe!
Isso também já tá engasgado na minha garganta faz um bom tempo. Primeiro porque, como todo bom Brasileiro sem dinheiro e tecnofóbico deveria saber, a vanguarda das tecnologias nunca dá muito certo. Hoje em dia lançar uma nova tecnologia é um passo audáz, já que poucos meses depois já existirão nas lojas novos produtos muito melhores e infinitamente mais baratos. Veja, por exemplo, o lançamento das tvs de tena plana, alguns anos atrás. Aquilo se tornou o sonho de consumo de todos nós, mas se formos parar pra pensar, elas custavam cerca de 3 rins e a imagem era tenebrosa, graças ao plasma de baixa resolução. Só agora, uns 5 anos depois, estamos começando a ter nas lojas tvs de lcd full hd a preços acessíveis.
Outro motivo pelo qual não acredito no 3d que existe hoje é por causa dos óculos. Digo isso porque usei óculos por muito tempo e paguei uma grana pra fazer uma cirurgia a laser para curar minha miopia. Pense nisso: quem usa óculos normalmente, só faz isso por que não tem opção. Isso quer dizer que usar óculos “sucks”, e quem é o louco que no seu tempo de descanso vai ficar usando óculos que não só são óculos, mas são enormes, pesados, calorentos (para quem vive em regiões de calor) e que sempre pioram a resolução e brilho da tela, fazendo você ganhar o 3d, mas perder a qualidade. Realmente, eu acho que isso de 3d só vai valer a pena quando inventarem uma tecnologia de 3d sem uso de óculos. Até lá, um cineminha, de vez enquando até rola, mas gastar zilhões de reais pra ter todos os equipamentos com o selo 3d, e depois gastar tudo novamente quando a tecnologia realmente atingir seu ponto ótimo de custo-benefício, não aqui em casa.
Ferrari, apesar de tudo devo discordar de algumas coisas. 1) A vanguarda das tecnologias dá certo sim, por isso que ela evolui haha, e as primeiras tela plana não eram ruins, só as de projeção que eram um pouco sofríveis, mas as tvs de plamas do inicio dos anos 2000 continuam boas até hoje, apesar de não serem fullHD, apenas HDReady. 2)Qto aos oculos, discordo do argumento sobre conforto, os que experimentei eram justamente desenhados para serem confortáveis e realmente em nada prejudicam a visão da tv – no caso da Sony, não testei as outras marcas. Porém me questiono sobre esse conforto pra quem já usa óculos normais.
Gastar $ e depois gastar de novo é questão de ponto de vista. Nós somos tecnófilos, talvez por isso a indignação. Mas meu sogro é mais que feliz com a tv de plasma que ele comprou em 2005 e nem tirou a etiqueta, assistindo futebol com a imagem esticada, assim como meu pai é mais que feliz usando o Blu-Ray e TV FullHD há pouco mais de uma ano e sem intenções de trocar nos próximos 10 anos, independente do que for lançado..