Gorillaz – Plastic Beach (2010)

Pela primeira vez, os personagens não aparecem na capa de um álbum do Gorillaz.
Quando surgiu em 2001, o Gorillaz surpreendeu uma boa parcela dos ouvintes da época ao misturar pop, hip-hop, trip-hop e até algo experimental em uma estranha embalagem. Em poucos dias o mundo foi invadido por estas figuras estranhas chamadas de 2D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel. Pela primeira vez, uma banda 100% virtual fazia sucesso em um mercado que já tinha cuspido fora tipos como The Monkees e o Milli Vanilli.
O quarteto era fruto da mente do músico Damon Albarn, na época vocalista do Blur, com o cartunista Jamie Hewlett. Naquele ano eles conseguiram tanto o apelo de um grande público quanto o escárnio de outro, mas ninguém podia negar que aquelas batidas grudavam na cabeça de uma forma nunca antes experimentada, de forma quase tão irritante quando o pop até perfeito demais do Blur.
Nesta terceira empreitada, a trupe juntou músicos de diversos cantos do planeta, criando uma atmosfera de pop brilhante dos anos 80 com momentos nostálgicos de bandas alternativas dos anos 60. Para tal, fizeram convites à músicos como o Lou Reed, Mick Jones e Paul Simonon (do The Clash), Bobby Womack, entre outros, misturando-os num experimento fonográfico um tanto arriscado.
Damon Albarn tem uma cabeça extravagante. Em sua primeira faixa, o Plastic Beach tem uma introdução orquestral, criando uma espécie de tema que parece resgatar um pouco do conceito do álbum anterior, Demon Days. Aí o “Fizzle Shizzle” Snoop Dogg embala os vocais da Welcome to The World of The Plastic, abrindo as portas desse novo mundo das praias de plástico.
Mas, sejamos sinceros, o motor do Gorillaz parece funcionar melhor quando os vocais à la britpop do Damon Albarn entram em ação junto com o contraste da ajuda de algum rapper. Assim sendo, na terceira faixa do disco, White Flag, que retoma um pouco da instrumentação orquestral da primeira, incluindo timbres dos oriente médio, é logo bombardeada pelos violentos vocais de Kano e Bashy.
Essas três primeiras faixas causam um estranhamento que impede o álbum de engatar de uma vez por todas. É apenas na Rhinestone Eyes que um pouco daquele brilho que conhecíamos volta e finalmente aterrissamos em solo conhecido, já que finalmente Damon retorna. A faixa de trabalho do álbum, Stylo, é um presente de puro divertimento sonoro, onde o Mos Def compartilha os vocais intensos de Bobby Womack, em um hit que parece ter feito a ponte perfeita entre a revisão do pop dos anos 80 com o melhor do funk das trilhas-sonoras do Blaxploitation.
Outros destaques vão pra participação do grupo Little Dragon na Empire Ants, provando mais uma vez que o grupo e os vocais da líder Yukimi Nagano prometem ainda muito para 2010; juntando também a faixa Some Kind of Nature, que mesmo com os graves vocais de Lou Reed não perde em nada do resto do conteúdo do álbum.
Em tempos de revisão de estilos, como no trabalho recente de Mayer Hawthorne, o Plastic Beach novamente causa aquele efeito dos outros álbuns do grupo, onde filtramos ótima diversão por entre faixas que parecem vindas de outra galáxia (vide a Glitter Freeze). Após meses de trabalho na produção (foram quase 15 meses), Albarn criou mais um peculiar trabalho com seus personagens. Mas vamos lá, mesmo ironicamente baseando o título do álbum no excesso de plásticos largados nas areias das praias inglesas, há algo quase over nisso tudo. Quase. Vamos ver quanto tempo ainda vai durar.










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