Show da Anberlin em Porto Alegre
Por Vanessa Freitas
A noite do dia 25 de março ficou gravada na memória dos fãs porto-alegrenses da banda Anberlin, que se apresentou no Bar Opinião. Não só pelo show, mas também pelos vários minutos de tensão que, com certeza, geraram a mesma pergunta na cabeça de todos que esperavam ansiosos: “será que vai dar certo?”.
Formada em 2002 no estado da Flórida, Estados Unidos, a banda liderada pelo carismático Stephen Christian fez sua primeira turnê no Brasil passando pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Fortaleza e, é claro, Porto Alegre, totalizando 6 shows no país.
A apresentação estava marcada para começar às 20 horas. No ingresso do show, as bandas que abririam oficialmente o
espetáculo seriam os gaúchos da Belle, doyoulike?, e Fused, mas, por comunidades e fóruns da internet, corriam rumores de que mais uma banda participaria do show – um dos primeiros sinais da má organização da produtora responsável pelo evento.
De fato, foi o que aconteceu. De última hora, a banda canoense I Maybe fez a abertura oficial com um atraso de pouco mais de 60 minutos, seguida pela Fused. Ambas mostraram falta de maturidade e tiveram que apelar para brindes de patrocinadores e covers de Mamonas Assassinas e Nirvana para tentar prender a atenção da plateia, ainda dispersa pelas mesas do bar. Um pouco depois das 21h30, a doyoulike? começou seu show, mostrando uma presença de palco incrível e um profissionalismo gigantesco. A banda conseguiu o que nenhuma das outras três alcançou: cativar o público a ponto deste cantar todas as suas canções próprias. Nos últimos minutos da última música, porém, aconteceu o que ninguém esperava: a energia elétrica acabou.
O Opinião ficou completamente no escuro durante alguns segundos, tempo de as lâmpadas de emergência se acenderem. Foi memorável. Os integrantes da doyoulike? ficaram sem saber o que fazer, até que um coro de vozes determinadas continuou a música de onde ela parou – prova de que os gaúchos valorizam muito as bandas locais. Emocionados, os meninos deixaram o palco, mas a expressão de dúvida e preocupação estampou o rosto de grande parte dos presentes. O comentário que mais se ouvia era “Será que a luz vai voltar?”.
Vinte minutos depois a energia foi retomada. Já eram quase 22 horas, e o mais lógico, com certeza, seria que a última banda de abertura nem subisse ao palco. Provavelmente era isso que teria acontecido, se a Belle, responsável pelo último show, não fosse a banda de um dos produtores do evento. No mínimo antiético, não?!
Mostrando muita “atitude roqueira” e pouco talento, a banda bem que tentou, mas o público estava estático e entediado. Talvez se o som da guitarra não estivesse tão alto, seria possível ouvir a voz da vocalista Adri, mas não foi o caso.
No meio da terceira música, a energia foi cortada novamente e, ao contrário da doyoulike?, que soube lidar muito bem com a situação, a Belle saiu do palco fazendo cara feia. Quando a luz voltou, a banda retornou para a “saideira”, para alívio da plateia.
Mais 30 minutos de espera e finalmente chegou o momento pelo qual todos esperavam. Às 23h42, Christian McAlhaney, guitarrista, e Nathan Young, baterista, adentraram o palco, seguidos pelo baixista Deon Rexroat, pelo guitarrista Joseph Milligan e pelo vocalista Stephen Christian.
Godspeed, do álbum Cities, abriu o show, e já nessa hora foi possível perceber que nada, nem a má organização do evento e nem a ameaça de falta de eletricidade estragariam o espetáculo. Mesmo com a casa mais vazia que o esperado, o Opinião tremeu com a animação e o entrosamento entre a banda e o público, que sabia todas as letras de cor e se concentrava o mais perto do palco possível.
O setlist ainda contou com as clássicas Resistance, A Whisper and a Clamour, Adelaide, Dismantle.Repair e Paperthin Hymn, e com Feel Good Drag, Breaking e Disappear, do cd mais recente da banda, New Surrender, de 2008, além do cover de True Faith, música da banda New Order.
No meio do show, outro momento inesquecível: alguém da plateia puxou o coro de Naive Orleans, clássico que não estava no setlist dos dois shows anteriores da Anberlin no Brasil. Stephen e Christian discutiram rapidamente com os outros integrantes se tocariam ou não a música, com sorrisos enormes e obviamente surpresos com a situação – talvez porque o show anterior da banda no Brasil, ocorrido em São Paulo, não tenha preenchido as expectativas dos músicos, já que estava com muito pouco público.
No bis, o pedido dos porto-alegrenses foi atendido, em um dos momentos mais emocionates do show. Naive Orleans foi tocada em versão acústica, com dedicatória e agradecimento especial ao Tavares, baixista da Fresno, grande fã de Anberlin, que também estava curtindo o show no meio da galera. No refrão, que diz “Your actions write the melodies to the songs that we sing”, foi possível ver algumas lágrimas nos rostos de alguns fãs. De fato, era um sonho realizado, um sonho que parecia muito pouco provável de acontecer, já que a Anberlin não é uma banda muito conhecida no Brasil, e a vinda deles ao país parecia ser quase impossível. O bis ainda contou com um dos primeiros sucessos da banda, A Day Late.
No final, parece que só ficou aquele gostinho de quero mais, que inclusive tinha nome: “Inevitable”, que ficou faltando. Os fãs nem reclamaram, já que pelo menos duas músicas foram tocadas a mais que o programado. Anberlin finalizou o show depois de pouco mais de uma hora de espetáculo, deixando em todos a sensação de que a noite não conseguirá ser superada nem esquecida, pelo menos por um bom tempo.












Simplismente demais e concordo com cada frase do que foi dito ai.
Melhor show da minha vida!