Franz Ferdinand, no Via Funchal, SP | 23/03/10

Posted 25 March 2010   Cultura, Música, Shows

we are gonna burn this city: frames do show do Franz

Alex Kapranos é um cara esforçado, convenhamos.

Antes do estourar com o Franz Ferdinand, o escocês voador já tinha se aventurado pelos antros do retro-ska com a sua banda Amphetameanies (é) e o pré-visual engravatado da The Karelia (nome que certamente não teria funcionado no Brasil). Que seja, esforçado e ambicioso, ao menos Alex tem experiência em uma coisa: tocar ao vivo.

O Franz Ferdinand é nativo de bares. Tocar para eles é como uma extensão natural, não foge de nada que eles não estejam acostumados. Por isto, as seletas cinco mil e sei lá quantas pessoas que estavam no Via Funchal ontem presenciaram um verdadeiro e honesto concerto de rock, sem colocar ou tirar nada no intermédio.

Tudo antes do Bis.

Uma vez que as luzes se apagaram na casa, os fã-clubes se amontoaram perto do “chiqueiro” dos jornalistas, enquanto pessoas apressadas entravam aos tropeços por todo lado com medo de perder os acordes iniciais do set-list, com Bite Hard, do mais recente álbum do grupo, Tonight.

A banda alternou músicas do primeiro CD, como The Dark of The Matinee e Tell Her Tonight, voltando para a No You Girls que fez a casa balançar como nunca antes. Dali para frente, o termômetro esquentou tanto que parecia um show de algum inferninho da rua Augusta.

Kapranos aproveitou para distribuir uns burocráticos “obrigadows” e “são paulows” antes de retomar o ataque frontal com Can’t Stop Feeling e a clássica Do You Want To. Foi ali em algum momento que o engenheiro de som começou a gritar em pânico que precisava de mais “espaço para trabalhar” e um garoto de muletas ao meu lado lutava para manter-se em pé no meio do aglomerado de pessoas suadas. Claro que o desequilíbrio geral acabou vindo no momento que o riff inicial de Take Me Out começou.

Concentrado e perfeccionista, Alex até dispensou a guitarra trazida pelo roadie, preferindo afinar sozinho o seu instrumento.

A banda não diminuiu em nada o ritmo, alcançando o ápice em uma comprida e elétrica versão de This Fire, com direito a um duelo à la twin guitars entre Kapranos e o guitarrista Nick McCarthy, pondo fogo de uma vez por todas naquele lugar.

Após tocarem Ulysses e Turn It On, a banda trocou de instrumentos, iniciando uma sessão de percussão na Outsiders que só faltava a inclusão da maquiagem azul nos rostos dos músicos.

Exausto, o público mantinha-se zumbificado e pálido, iniciando as palmas do bis. Na verdade, o engenheiro de som parecia menos neurótico naquele momento, com uma groupie que queria aprender os complicados sistemas da mesa de som.

O Bis

E aí o grupo retornou para um simpático cover de All My Friends do LCD Soundsystem, banda esta que foi uma forte influência na produção do Tonight. Os músicos correram de um lado e pro outro nas faixas seguintes como Michael e 40 ft, encerrando de vez a jornada com a Lucid Dreams, onde ocorreu um desfecho eletrônico intenso, terminando de vez com o resquício de energia do público.

Se ainda faltam razões para você não perder o próximo show da banda, lembre que mesmo doente, Kapranos entregou um show intenso, não demonstrando sinal nenhum de fraqueza.

A locomotiva Franz Ferdinand não é para os fracos e sim para aqueles que querem comprar o ticket dessa viagem aproveitando-a até o fim, ainda mais para um não-fã como eu.

No twitter, o desabafo que qualquer fã quer ler: "São Paulo, obrigado por me fazer sentir vivo. Estive me sentindo quase morto nas últimas 48 horas na cama com tremedeira e pus nas amígdalas"

P.S.: Thanks para a @microw pela foto do set-list.

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