Do Blade Runners Dream of Electric Sheep?
por Mari Amaro
Sempre imaginei que o filme Blade Runner vinha de um livro homônimo e com a trama – como tem acontecido nos últimos tempos – quase igual, ou seja, uma adaptação apenas. Foi com esse pensamento que peguei para ler Do Androids Dream of Eletric Sheep, nada mais que o filme com mais detalhes. Admito agora uma bela mancada de minha parte.
Depois de 20 páginas comecei a estranhar que a história não estava caminhando como eu me lembrava – Deckard casado? Ovelhas elétricas? Poeira de radiação? - parei o livro. Pensei por dois segundos e voltei para – o que normalmente só leio após a leitura - a introdução. Ali entendi, o filme “depende” do livro, mas os dois são universos únicos e totalmente independentes entre si. E ambas são duas grandes obras da ficção cientifica.
O filme põe em xeque a humanidade dos solitários e a possível humanidade dos replicantes (andróides em forma humanóide). Filosofia barata e cena cyberpunk injetada na veia de forma tão brilhante que é impossível não gostar. No livro, por outro lado, temos um típico mundo de Philip K. Dick, onde humanos, após uma guerra nuclear destruidora, glorificam algum símbolo que remeta a época áurea da Terra (neste caso os animais) em um ambiente neurótico e sombrio. A semelhança? Um caçador e as caças em mundo futurista decadente. Only.
A questão da sociedade e o que ela nos leva a fazer em prol da boa imagem ou para ser aceito é abordada aqui, como na maioria das obras do escritor. Ter animais elétricos é uma vergonha, é sinal de pobreza, mas ter um e fingir que é real é melhor que não ter. Deixar morrer um animal? Crime. Se cria uma nova moral, novos costumes.
Se o teste Voight-KampffVoight-Kampff ( usado para identificar Replicantes/Andróides ) do filme parece uma excentricidade não explicada – ou nonsense completo – no livro ele não só ganha sentido, como uma explicação complemente viável. Animais são importantes, causam impacto emocional fortíssimo nesse mundo por isso a reação a pergunta “Se você encontrar um jabuti virado no meio da estrada, o que você faz?” é tão importante. O apego pela mãe inserido no filme desaparece. Andróides não têm sentimento. Nunca terão. Eles sempre saberão o que são e porque são. Podem simular, mas senti-los jamais. São máquinas. Os homens podem mudar em relação as máquinas mas o inverso não é verdadeiro.
Uma replicante saber o que é entrar em depressão (assim como o estado de letargia humanista que o chefe dos replicantes sofre) é impossível na versão de Dick, porque eles são somente máquinas que imitam, simulam os serem humanos. Não tem o mesmo padrão de moral ou sentimentos, portanto são perigosos. São na verdade a descrição de psicopatas. Andróides nada mais são que psicopatas. Não sentem empatia e usam e descartam pessoas como convém aos seus interesses.
Mundos diferentes e a explicação do porque os prédios parecem tão vazios. Agora porque as ruas do filmes estão
sempre povoadas (lotadas) e as casas vazias ninguém explica. O diretor Ridley Scott criou outra realidade para Blade Runner. Só o mais superficial da trama permanece igual. Replicantes fugiram do espaço, são perigosos e Deckard, um caçador de replicantes (interpretado por Harrison Ford), tem que eliminá-los. Até os motivos do porquê o protagonista faz sua caçada são diferentes. No livro ele precisa/quer e no outro imploram para que o faça e isto muda TODO o perfil psicológico do personagem.
São mundos e obras totalmente diferentes, mas ambos imperdíveis para fãs de ficção científica.
Foto na abertura de – 404 not found
Depois de 20 páginas comecei a estranhar que a história não estava caminhando como eu me lembrava – Deckard casado? Ovelhas elétricas? Poeira de radiação? - parei o livro. Pensei por dois segundos e voltei para – o que normalmente só leio após a leitura - a introdução. Ali entendi, o filme “depende” do livro, mas os dois são universos únicos e totalmente independentes entre si. E ambas são duas grandes obras da ficção cientifica.
O filme põe em xeque a humanidade dos solitários e a possível humanidade dos replicantes (andróides em forma humanóide). Filosofia barata e cena cyberpunk injetada na veia de forma tão brilhante que é impossível não gostar. No livro, por outro lado, temos um típico mundo de Philip K. Dick, onde humanos, após uma guerra nuclear destruidora, glorificam algum símbolo que remeta a época áurea da Terra (neste caso os animais) em um ambiente neurótico e sombrio. A semelhança? Um caçador e as caças em mundo futurista decadente. Only.
A questão da sociedade e o que ela nos leva a fazer em prol da boa imagem ou para ser aceito é abordada aqui, como na maioria das obras do escritor. Ter animais elétricos é uma vergonha, é sinal de pobreza, mas ter um e fingir que é real é melhor que não ter. Deixar morrer um animal? Crime. Se cria uma nova moral, novos costumes.
Se o teste Voight-KampffVoight-Kampff ( usado para identificar Replicantes/Andróides ) do filme parece uma excentricidade não explicada – ou nonsense completo – no livro ele não só ganha sentido, como uma explicação complemente viável. Animais são importantes, causam impacto emocional fortíssimo nesse mundo por isso a reação a pergunta “Se você encontrar um jabuti virado no meio da estrada, o que você faz?” é tão importante. O apego pela mãe inserido no filme desaparece. Andróides não têm sentimento. Nunca terão. Eles sempre saberão o que são e porque são. Podem simular, mas senti-los jamais. São máquinas. Os homens podem mudar em relação as máquinas mas o inverso não é verdadeiro.
Uma replicante saber o que é entrar em depressão (assim como o estado de letargia humanista que o chefe dos replicantes sofre) é impossível no livro, porque eles são somente máquinas que imitam, simulam os serem humanos. Não tem o mesmo padrão de moral ou sentimentos, portanto são perigosos. São na verdade a descrição de psicopatas. Andróides nada mais são que psicopatas. Não sentem empatia e usam e descartam pessoas como convém aos seus interesses.
Mundos diferentes e a explicação do porque os prédios parecem tão vazios. Agora porque as ruas do filmes estão sempre povoadas (lotadas) e as casas vazias ninguém explica. O diretor criou outra realidade para Blade Runner. Só o mais superficial da trama permanece igual. Replicantes fugiram do espaço, são perigosos e Deckard, um caçador de replicantes (interpretado por Harrison Ford), tem que eliminá-los. Até os motivos do porquê o protagonista faz sua caçada são diferentes. No livro ele precisa/quer e no outro imploram para que o faça e isto muda TODO o perfil psicológico do personagem.
São mundos e obras totalmente diferentes, mas ambas imperdíveis para fãs de ficção científica.













Mariii, só agora eu li esta pérola! Amei, amei e amei seu post. *_*
Sou uma apaixonada tanto pelo filme quanto pelo livro, o que é um caso raro. Normalmente eu odeio quando o filme é livremente baseado, gosto que seja o mais fiel possível à obra original. xD
Bjinho!