Josh Rouse – El Turista (2010)
O Josh Rouse é um cara legal. Legal mesmo.
O cantor nativo do Nebraska vive em alguma realidade paralela onde tudo parece dar certo. Suas composições tem sempre lá uma pontinha de sensação de parecerem saidas de uma propaganda de margarina de tão bonitas e redondinhas que são.
De 2005 prá cá, Josh abandonou suas raízes norte-americanas e foi viver na Espanha. De lá, ele já lançou um punhado de álbuns, como o interessante Subtitulo (de 2006) e o pouco mais sóbrio Country Mouse City House (de 2007), além de suas parcerias com a cantora Paz Suay que pipocaram num EP especial.
A influência hispânica veio de forma diferente nos timbres destes álbuns anteriores, com uma relaxada nas melodias e referências de seu novo estilo de vida em suas letras. O seu novo lançamento, El Turista, dá uma nova guinada em sua fase na terra do Dom Quixote. Na verdade, uma mudança tão estranha que da a impressão que Josh enxergou gigantes no lugar de moinhos.
A instrumental Bienvenido abre o disco, com uma pegada de bossa-nova perdida em um soft-jazz cara de pau. Ela mal chega a criar alguma atmosfera até que um pseudoespanhol Josh Rouse começa a cantar “No llora Mobila” (na trodução “Não chore Mobila”) na Duerme, Mobila. Mesmo que a melodia seja agradável aos anjos, nem tudo encaixa-se perfeitamente nas letras de Josh. É um estranhamento na primeira audição. Uma mistura de brega e aquela esperança que algo de bom possa sair dali.
Mas, ele volta atrás e canta as duas seguintes faixas, Lemon Tree e Sweet Elaine em seu mais perfeito inglês, estampando seus clássicos trejeitos sedutores de garoto do Nebraska que curte a vida como se fosse um doce de criança.
Mais uma vez as vozes espanholas ressurgem em faixas como Mesie Julian, a indecifrável Valencia e o mambo estranho de Las Voces. Aquele estranhamento volta, junto com aquele embrulho no estômago se aquilo que você ouve é um lixo ou algo tão subversivo ao seu tempo.
O quê não é.
Uma coisa é o Peter Gabriel no anos 80 regravar dois álbuns para que eles tenham acesso ao mercado da Alemanha Oriental e outra coisa é a confusão que é El Turista.
A esperança sobra numa misteriosa e envolvente Don’t Act Tough que encerra o álbum. Ali surgem saxofones que emulam o começo marcante do Acknowledgement do John Coltrane ou a Tezeta de Mulatu Astatke, seguidos de uma combinação de cordas que mostram algum “despertar” criativo contrastante com o resto do álbum.
Josh Rouse têm todas as boas intenções do mundo. Fica aquela impressão que ainda houve receio de gravar todo um álbum em espanhol. Como um bom turista, vai ver a timidez falou mais alto em terra estrangeira.
Ou recordando o ótimo show no Sesc Vila Mariana em 2008:
Uma fã gritou em inglês “Fale algo em espanhol!”
E ele respondeu: “Por quê?”
Pois é.











Muito bom, Jairo. Valeu a dica!
De nada! Se eu fosse você, baixava o álbum “Nashville” dele. Ótimo pop-rock.
O artigo começou bem, mas nao concordo com sua critica. O album El Turista de Josh Rouse, mostra a evolução musical que ele vem passando ao longo destes anos.. Novas experiências, novos sons e uma bagagem musical de dar inveja a muito cantor que se diz fazer musica.
El turista é fantastico e envolvente do inicio ao fim. Realmente a primeira vez que escutei me perguntei se ia gostar ou nao, fiquei com um pouco de medo, porém, comecei a descobrir a incrivel sonoridade que este album possui. Recomendo a todos, não desfazendo dos albums anteriores que também sao fantasticos.. Home, Nashville, etc.
“El Turista” é maduro musicalmente, mas pra mim não funcionou tão bem, ainda mais que não engoli as faixas em espanhol. Foi pessoal mesmo, tanto que de todos os álbuns do Josh Rouse, ele é provavelmente o que eu menos ouvi até hoje.
(O meu last.fm que o diga!)
Mas valeu por apresentar a sua opinião! : )