O Lobisomem (2010)
O silêncio é importante. Ainda mais quando se trabalha dentro dos limites do gênero do suspense e do terror. Grandes mestres nos ensinaram isso com louvor, como o próprio Hitchcock nos mostrou na horripilante cena da escadaria de Frenesi, entre outras. Mais do que isso, o silêncio cria uma dimensão temporal entre o filme e a platéia que é incrível. Entre outras palavras: se o diretor for capaz, ele esculpe o tempo ali mesmo na tela.
O diretor Joe Johnston faz na refilmagem do clássico O Lobisomem mais um trabalho honesto, porém sem maiores destaques autorais ou relevantes ao gênero. Não que este seja o grande problema, já que o filme abraça o cinema comercial. Porém nos faz recordar de o quanto este projeto em sua gestação tinha potencial para ser incrível.
Na trágica história, Lawrence Talbot (Benicio del Toro) é um ator teatral que retorna a Inglaterra após a morte de seu irmão. Chegando no vilarejo, ele descobre um boato de uma criatura que assusta os moradores nas noites de lua cheia. Lawrence tenta se reaproximar com o seu pai, Sir John Talbot (Anthony Hopkins) além de aos poucos conhecer a sua cunhada Gwen Colliffe (Emily Blunt). Lawrence, porém, é surpreendido pela horrível maldição carregada pela sua família, transformando-se no temido lobisomem e causando uma onda sangrenta de assassinatos.
Em 2007, o filme estava nas mãos do famoso diretor de video-clipes Mark Romanek. Durante os próximos 6 meses, o diretor pesquisou as locações, incluindo o maravilhoso casarão utitlizado pela família Talbot, além de ter alinhado a direção de arte, incluindo pesquisa de figurino e o importante trabalho de maquiagem de Rick Baker. Um mês antes de iniciarem as filmagens, Romanek saiu do projeto e rapidamente Joe Johnston entrou em seu lugar.
Com indas e vindas de diretores, depois que o filme estava em pós-produção, foram necessárias regravações extras das sequências de ação, incluindo aí as aguardadas cenas envolvendo a criatura, que segundo diziam estavam “fora de ritmo”.
Fora de “alguma coisa” está o trabalho de Benicio del Toro, “mumificado” e apático em partes que exigiam reações mais inspiradas, dando lugar para uma pífia cena final digna de filmes caseiros. Juntando a isso está um Anthony Hopkins ligado na alta voltagem de modo automático e uma Emily Blunt com sempre a mesma bendita boca semi-aberta. Apenas o Hugo Weaving tem um momento mais interessante com o seu detetive da Scotland Yard.
Aliás, são apenas em algumas cenas do ator australiano que a trilha sonora desaparece momentaneamente. A insistência do diretor em incluir a trilha-sonora pouco inspirada de Danny Elfman em toda cena e sequência possível criou um efeito de “muralha de som” pouco desejado. Novamente, silêncio é ouro e sem ele não há como criar tensão ou suspense de forma satisfatória. Tudo ocorre de forma tão rápida, barulhenta e – vai lá – sangrenta, que parece que o editor foi ameaçado de morte se não seguisse o roteiro à risca.
Não é um desastre fora de controle, porém O Lobisomem entra novamente para essa filmografia pouco feliz de Joe Johnston, onde seus filmes parecem sobreviver mais na locadora e depois na tevê aberta. Infelizmente, o contra-ataque aos lobisomens simpáticos e bem definidos da saga Crepúsculo veio de forma fraca.
Não é sangue frio nem quente que corre nas veias deste monstro: é sangue bem morno.
“O Lobisomem” (The Wolfman) – Diretor: Joe Johnston; Com: Benicio del Toro, Hugo Weaving
Entrou em cartaz no último dia 12 de Fevereiro.











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