Midlake, no The Social

Posted 14 January 2010   Cultura, Música, Shows

Há algo de peculiar numa apresentação ao vivo do Midlake. Envoltos por um espírito de menestréis medievais, a banda texana na verdade parece mais buscar se divertir com o seu retorno aos palcos após dois anos de hiato do que se levar muito a sério com todo o evento. Abrindo o show com uma faixa de seu novo álbum, Winter Dies, todos pareciam concentrados em sua função se não fosse um pequeno detalhe peculiar: a ausência do guitarrista Eric Nichelson no palco, que deixou sua cadeira vazia com direito a um holofote iluminando o seu lugar. Os integrantes se entreolhavam assustados, até que o músico desaparecido entra no palco correndo e logo já está em ritmo com o resto da banda.

A principal diferença de assistir um show fora do país é poder ver o seu artista mais a vontade com o público. Pelo menos neste caso a banda sempre que possível interagia com o pessoal, soltando uma ou outra piada sobre esportes ou sobre a longa pausa que fizeram dos palcos. Até rolou um piadinha meio bairrista quanto a cidade natal dos caras, Denton, no Texas. Eles chegaram a falar que aquela banda estava na verdade em uma missão de divulgar esta pequenina cidade do norte do estado texano, e só às vezes eles trabalhavam adotando o nome de Midlake.

Eric Nichelson: entre corridas ao bar e acordes de guitarra

Ok, deixando as piadas de lado, o que se teve foi um show muito responsável. A banda contava com mais dois músicos de apoio naquele pequeno palco, o que criou uma dimensão ainda maior para canções como a Roscoe, do famigerado álbum The Trials of Van Occupanther de 2006. Além de ser umas das mais intensas do grupo, ao vivo ela tomou uma forma de “muralha de som”, recheada de guitarras muito bem compassadas. O vocalista Tim Smith pode não ser o mais simpático de todos na história, ainda mais por se extremamente tímido, mas foi muito competente ao entregar os vocais da balada Bandits, que em muito ecoa com uma influência do grupo America dos anos 70 (dêem um Google em qualquer música deles e entenderão o quê eu digo).

O Midlake ainda têm um longo ano pela frente e este terceiro show do início da turnê faz parte ainda de um aquecimento para muita estrada que eles percorrerão. As músicas do novo álbum, The Courage of Others, estão com belos arranjos ao vivo, ainda mais pela grande quantidade de músicos no show. O que na verdade falta é aquela coisa que não está nos livros de música e nem no Google. Uma banda só se torna uma banda quando está na estrada, tocando e melhorando suas músicas de concerto em concerto. Não é um ato automatizado nem científico, ele simplesmente ocorre em algum momento da turnê. Os sortudos que estiverem no show certo é que terão o prazer de testemunhar isto: uma banda na plenitude de sua performance e de sua música. Prá mim fica aquela ótima lembrança do show encerrando com Young Bride e o tecladista conversando comigo em português, tirando umas dúvidas sobre o Brasil. “Porque minha mulher é portuguesa e sempre quis ir pro Rio de Janeiro”.

Bom…coisas que só shows em bares explicam.

Midlake no The Social, 7 de Janeiro de 2010.

1 Comment

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