Notáveis e esquecidos personagens de videogames (parte I)

Posted 11 January 2010   Games, Tecnlg
por Você

por Murilo K. Shimizu.

Esta é uma série de postagens sobre tipografia em videogames, baseada em minha dissertação de graduação em Design com habilitação em Comunicação Visual pelo Centro Universitário SENAC – SP, intitulada “Typefaces as Characters: Estudos tipográficos em Videogames” e realizada sob a orientação da Dra. Anna Paula Silva Gouveia em 2008.

Um chocolate para quem se lembrar quem é Kenneth Baker. Muito provavelmente ninguém conseguiria dizer se usa terno ou camiseta, ninguém prestou devida atenção em suas falas e tão pouco se emocionou com a cena de sua morte. Ele era, entre outras coisas, apenas um gancho para introduzir aquele que viria a ser um dos principais vilões da série. E posso apostar que muitos jogadores, ávidos por ação, ignoraram completamente a sua existência apertando todos os botões do controle para pular a animação na qual Kenneth aparece. Até este ponto, há quem possa alegar que a criação de Kenneth não faz sentido, afinal o tal jogo ficaria muito bem sem a sua presença. De fato, em termos de jogabilidade (e em certo ponto até de narrativa), Metal Gear Solid: Tactical Espionage Action (1998, Konami) não precisava dos polígonos, texturas nem voice-over de Kenneth Baker para ser considerado, pelos jogadores e pela crítica, um divisor de águas dos videogames. Mas e se Kenneth Baker realmente não tivesse sido criado?

Em termos gerais, Kenneth não foi nada mais que um detalhe. Detalhe como, por exemplo, se Revolver Ocelot dissesse um simples e rápidoPrepare to die no lugar de Six bullets, more than enough to kill anything that moves. Será que detalhes como estes realmente fazem alguma diferença para a sua experiência de jogo?

Ao longo desta série de postagens discutiremos sobre a presença e influência de detalhes nos videogames, com o foco nos detalhes tipográficos, como a presença ou não de serifas (detalhes das extremidades das letras, em fontes como a Times New Roman), a diferença da escolha entre um estilo de fonte e outro, e até da própria linguagem textual, seja em jogos fortemente narrativos como Metal Gear Solid ou em jogos essencialmente lúdicos como Tetris.

Uma de minhas constatações em minha pesquisa para o trabalho de conclusão de curso, realizada em 2008, foi a que as pessoas conseguem notar diferenças de detalhes tipográficos aparentemente mínimos em videogames. Na situação em questão, fiz modificações no jogo Portal (2007, Valve), alterando as fontes e suas características. Em uma parte da pesquisa, mostrei três versões (duas modificadas e uma original) do menu principal de Portal para jogadores que nunca tivessem visto o jogo até então. O resultado foi surpreendente… e será apresentado nos próximos posts. (Deixo aqui uma prévia do menu alterado para ver o que vocês dizem).

Uma tipografia mais high tech

O original

Que tal a versão com a fonte serifada?

Que nosso amigo Kenneth Baker descanse em paz, e um muito obrigado pela sua curta e bondosa aparição em MGS.

Veja a segunda parte aqui!

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