Cantando e sorrindo com Glee
por Mari Amaro
Com surpresa Glee não só me espantou como cativou no momento em que parei para olhar o seriado. Estava no quarto episódio, dublado e mesmo assim eu adorei. Eu normalmente sou muito chata com seriados, principalmente aqueles que tratam de adolescentes. Sério, depois de Dawsons Creek – que hoje acho horrível – nenhuma serie teen me cativou de verdade. Ok, vi alguns episódios de The OC e gostava de Greek, mas Greek era mais faculdade e pseudo-adultinho que The OC.
Ok, voltando a Glee… Comédia ou musical? Depende, você considera o filme Mudança de Hábito ( com a Woopy) musical ou comédia? Pode-se dizer que Glee é uma versão extendida deste tipo de filme.

Rachel Berry, interpretado por Lea Michaels
Rachel Berry, interpretada pela atriz ex-Broadway Lea Michele entra certamente no meu hall de heroinas femininas ao lado de Lorelai Gilmore (Gilmore Girls) e Rachel Green (Friends). Talentosa, ambiciosa e focada em ser uma estrela Rachel foi criada por seus dois pais gays para ser “uma vaca competitiva” (em sua própria definição). Ou seja ela tem ataques de estrelismos, prepotência, liderança forçada e tudo o que aquela sua odiada colega “sou-melhor-e-vou-dominar-o-mundo-com-meu-talento” faz. Mas ao mesmo tempo em que ela é tudo isso, ela ainda consegue ser carismática, engraçada e sincera, maldita sinceridade aliás, ela simplesmente fala tudo o que quer, de uma forma quase ingênua às vezes. E a voz, a voz daquela menina (que na verdade é mais velha que eu!) comove e emociona! Não só o telespectador, mas os outros alunos também passam ver Rachel com outros olhos quando ela canta, a mudança é visível.
Outro ponto muito importante no Glee são os momentos de silêncio. Sim, quando um personagem está falando e o outro no fundo faz um olhar para outro, ou para si mesmo. Esses momentos de silêncio e olhares às vezes dizem mais que falas e costumam ser um dos grandes erros da novela brasileira e dos seriados teens. Por achar que o público não entenderá um olhar de culpa ou alguma emoção diversa eles fazem o personagem falar sozinho – psycooo – ou falar coisas desnecessárias para seus pares. Na verdade está costuma ser uma técnica teatral, a do olhar e da expressão corporal ao invés da fala, mas Glee consegue incluir esse diferencial – mesmo que de forma discreta. Afinal, além de atores eles são cantores e interpretes, então trabalhar com a expressão corporal é de suma importância.
Seguindo a tendência atual (depois de Across the Universe e Mamma Mia) somente musicas conhecidas (ou já gravadas) são tocadas, evitando letras bobinhas a la High School Music. Aliás, vou garantir para vocês que não existe nenhuma semelhança entre Glee e o musical pré-teen da Disney – fora o fato de os atores cantarem e se passar em uma escola. As pessoas não vão parar de falar e sair cantando, não vão constrangedoramente jogar futebol americano cantando (opa, ou será que vão?) e, para completar, sexo não é um assunto esquecido, aliás bem pelo contrário. É uma verdadeira salada musical com direito a rap, brodway, Rock N Roll e pop meloso, todos belamente executados pela trupe de Glee.
Imagens não fazem justiça ao seriado então:
Infelizmente não consegui colocar uma versão aceitavel de uma das músicas tema Dont Stop Believing mas aqui vai o link (que infelizmente teve seu código de incoporação bloqueado)










Eu comecei a assistir Glee por indicação de alguém, quando perguntei por que deveria ver a pessoa simplesmente disse “Tem que assistir”. E é bem por aí mesmo, gostei muito de Glee, mas não faço ideia porque. Não tem nada de mais, se alguém te falar a história vai parecer que é uma mistura de novela com High School Musical, mas assistindo percebe-se que é completamente diferente, é único e vale a pena dar uma chance.