Amando (ou odiando) o Revival
Amando (ou odiando) os Discos de Vinil:
Lembro vividamente dos dias em que eu ia até o centro de São Paulo, na famigerada Galeria do Rock, e negociava por horas umas bolachas velhas. Era estúpido e incrível ao mesmo tempo: minutos preciosos desperdiçados em discussões estranhas sobre quanto podia valer o About Face do David Gilmour ou o primeiro LP do Yes. De lá eu saía em um êxtase juvenil, todo alegre em ser um maluco que mantinha a tradição de ouvir LPs de bandas que simplesmente não conseguiam compor músicas de menos de dois minutos de duração.
Um dia desses esbarrei na Livraria Cultura em um disco novinho, lindo, tinindo, do John Coltrane. Foi checar o preço salgado de R$120 para cair numa incontestável realidade que os discos de vinil estão realmente de volta. Mas, só para aqueles sortudos e endinheirados que possam comprá-los por este preço no Brasil.
Dentre as mil explicações que circulam por aí, podemos apanhar entre elas a que todos os LPs, sem exceção, são importados – dos EUA ou da Europa. Até um LP do Caetano Veloso ou do Jorge Ben chega aqui por um preço de um pote de caviar. Enquanto a única fábrica de discos de vinil do Brasil (localizada no Rio de Janeiro) levanta das cinzas para retomar atividades, podemos aguardar sentados prá uma leva tupiniquim de ótimas bolachas por preços acessíveis dentro de alguns anos.
Tudo isto vem na verdade de um hype, uma moda que há quase dez anos têm germinado por entre o público alternativo americano e europeu. Enquanto alguns LPs eram fabricados para o público do Leste Europeu, uma dezena de bandas independentes escolheram o formato de EP ou até de single para lançar material inédito em disco de vinil. O combustor principal desta moda foi também o apelo que muitos designers gráficos tiveram ao trabalhar no suporte dos LPs. A embalagem é proporcionalmente maior do que a de um CD e convenhamos que muitas capas ganham mais força assim do que quando ridiculamente protegidas por um plástico que só gosta de rachar e quebrar.
Amando (ou odiando) a Lomography:
Agora, não tem coisa mais genial do que é a invenção da câmera digital.
Horas e horas de tempo desperdiçado em revelações, fotos horríveis que nunca saíam direito, pessoas com os olhos fechados na hora do flash, tudo isso resolvido numa minúscula tela de LCD.
É aí que surge a Lomography: um contra-ataque ao excesso do digital. Vamos lá, há algo charmoso e bacana em errar, certo?
A Lomography baseia-se num estilo de fotografia analógica, trazendo de volta aquela nostalgia de ser criativo e experimental. Como na própria página oficial:
“No coração da Lomography vivem as 10 Regras de Ouro – para guiar e desarmar você de todas as formalidades e complicações que conhece sobre fotografia. Elas são a essência do mote “Não pense, apenas clique”. Afinal, Lomography nada mais é do que se divertir enquanto tira boas fotos. Decore isso ou quebre as regas; de um jeito ou de outro, esteja pronto para jogar fora todas as suas inibições sobre fotografia!
- Leve sua Lomo sempre com você.
- Use quando quiser – dia ou noite.
- A Lomografia não interfere na sua vida, faz parte dela.
- Fotografe sem olha no visor.
- Aproxime-se o máximo possível do objeto lomográfico desejado.
- Não pense.
- Seja rápido.
- Você não precisa saber antecipadamente o que fotografou.
- Nem depois.
- Não se preocupe com as regras.”
Dito isto, convido a todos que ao menos tentem desenterrar as suas Yashicas antigas ou corram atrás daquela câmera de filme do seu tio. Aventurar-se pela foto analógica tem lá as suas alegrias.












Olá Jairo,
Acho a idéia de incorporar o erro ao trabalho muito boa.
Estamos acostumados as coisas perfeitas e o erro entra como um elemento gráfico inovador, na fotografia por exemplo muitos colegas estão utilizando a técnica do PINHOLE para fazer seus trabalhos.
Isso só reforça a questão de também preservamos as técnicas antigas, por exemplo trabalho com 3D, mas gosto muito da técnica do Stop Motion, rica de soluções e idéias.
A verdade é poder encarar o “erro” como uma possibilidade de linguagem. O êxtase de falhar e encontrar a beleza nisto. Nem que precise de 30 fotos para encontrar uma que seja o momento brilhante.
Em tempo: matéria sobre a volta dos LPs: http://j.mp/5iiRY9
Aproveitando então: sobre Lomo http://www.andafter.org/publicacoes/lomo_1471.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+AndAfter+%28And+After%29&utm_content=Google+Reader