Distrito 9 (2009)

Posted 20 October 2009   Cinema, Crítica, Cultura

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Isso sim é guerra dos mundos!

Hoje vou lhes contar, amigos, uma história que muitos de vocês não conhecem ainda. Ela se chama “A Vingança de Peter Jackson”, e estrela o novato diretor Sul-Africano, Neil Blomkamp. Tudo começou num belo dia de 2005, quando a Microsoft, a gigante do mundo da informática e dos games, vai atrás do nosso diretor dos anéis querendo fazer um filme de Halo, sua mais rentável franquia de jogos de videogames.

Pra quem não sabe, a série Halo, iniciada em 2001 com o jogo Halo: Combat Evolved, já conta com cinco jogos e ainda tem mais um no forno por sair. É sucesso absoluto de vendas e tem uma história muito interessante: sobre extra-terrestres com uma sociedade teocêntrica tentando eliminar os humanos do universo, e estes na busca pela sobrevivência, atacando de volta sob a liderança de Master Chief, um super soldado desenvolvido especialmente para chutar bundas alienígenas na guerra. Pois bem: Se tem alguém que poderia fazer um filme do universo Halo, esse com certeza seria o Peter Jackson, que já trouxe a realidade a trilogia, por muito tempo considerada irrealizável, Senhor dos Anéis.

Por incrível que pareça, esse "camarão" é modelo e manequim em seu planeta.

Por incrível que pareça, esse "camarão" é modelo e manequim em seu planeta.

Entretanto, muitas coisas aconteceram desde o início da pré-produção. Jackson confirmou que não iria dirigir o filme, papel que daria para o Blomkamp, algo que os estúdios e distribuidores de Hollywood não costumam ver com bons olhos: dar milhões de seus caixas para um novato gastar.

Outro caso, esse terminal, foi a repentina paralização do projeto, devido à desentendimentos financeiros entre a Microsoft e os estúdios que fariam a distribuição, que alegaram que o valor do filme seria alto demais para o quanto eles acreditaram que ele faturaria. À partir desse momento, o filme de Halo estaria condenado ao limbo, no qual se encontra até agora, quatro anos depois. Um nó ficou preso nas gargantas de Jackson e Blomkamp, que realmente esperavam fazer algo digno para os mais alucinados fãs, porém foram barrados pela ganância de Hollywood (sempre ela!).

Independence Day? No way!

Independence Day? No way!

Eis então que, talvez como uma recompensa pelo seu trabalho em vão, a dupla dinâmica recebeu uma chance da Sony Pictures Internacional de mostrar um pouco do que tinham preparado para o público durante a pré-produção de seu filme abortado. E foi daí que sairam os míseros 30 milhões de dólares para a produção de Distrito 9 (District 9).

Jackson aproveitou a idéia, já começada, em um de seus curta-metragens (Alive in Joburg, que pode ser visto na íntegra ao final desse post), inclusive aproveitando alguns atores (como Sharlto Copley, que faz um perfeito clone de Cristian Bale na película) e, obviamente, pegando o que já tinha bolado para levar Master Chief às telas, compondo cuidadosamente um longa cheio de ação, com uma história tocante e envolvente.

O que aconteceu é que o baixo orçamento do filme (se você não sabe, qualquer comédia romântica hoje em dia custa, em média, 70 milhões de dólares) rendeu só na estréia 37 milhões (cobrindo automaticamente os seus gastos), além de colher boas críticas por todo o mundo, dar moral de sobra para o jovem diretor e, pra finalizar, um grande tapa indireto na cara dos estúdios que duvidaram do lucro certo que um filme da magnitude de Halo poderia trazer para seus bolsos.

Olha! É o Christian Bale! Ah.. não é...

Olha! É o Christian Bale! Ah.. não é...

Mas vamos falar de Distrito 9. A película conta a história de uma invasão alienígena sem motivo conhecido sobre Johannesburg, capital da África do Sul. O governo do país decide receber alienígenas em suas terras até que possam voltar para seu planeta, o que não acontece. E aquilo que começou como uma recepção à um povo amigável acaba por se tornar um barril de pólvora, baseado em preconceito da parte dos humanos contra os ETs, gerando violência gratuita e estúpida, mais ou menos como o país já havia sofrido durante o apartheid.

Esse é o pano de fundo do filme, e não vou avançar por aqui para não estragar as surpresas, ok? O estilo adotado para contar a história já foi visto em A Bruxa de Blair, Cloverfield e Rec, de um falso documentário que segue alguns acontecimentos incomuns através do uso da câmera olho. Dessa vez, tal recurso é apenas um detalhe para deixar a história de ficção científica com um ar de realidade, e não para assustar o expectador. Os efeitos especiais são surpreendentes, mesmo com orçamento limitado, e fazem muito pelos personagens digitais, que podem facilmente cativar a platéia e fazer com que nos preocupemos com seus passos e atos.

"Oi... Vim ver se tem mosquito da dengue na sua casa!"

"Oi... Vim ver se tem mosquito da dengue na sua casa!"

Mas o que tem a ver Halo com esse filme substituto de Jackson e Blomkamp?  Tudo! Uma coisa que os nerds-gamers vão sentir ao ver o filme é que aquilo tudo é bem familiar. Não só a história, mas sua progressão, a evolução dos personagens, os ângulos e nuances captados pelas câmeras: tudo lembra um grande e bom jogo de videogame. Até arrisco dizer que é o melhor filme baseado em videogame que já foi produzido, mesmo ele não sendo realmente um filme baseado em videogame. Todos os detalhes estão lá: armas cabulosas, um personagem que muda enquanto o tempo passa, reviravoltas, novas “missões” surgindo no meio de “missões” maiores. Espere ver cenas que te lembrarão de jogos como Gears fo War, Half-life 2, Red Faction Guerrilla, Unreal e, obviamente, a própria série Halo. A influência desses jogos e seu estilo de contar histórias sobre o filme é inegável. E, destacando o último citado, chega a gelar a espinha quando, em um diálogo que não irei reproduzir aqui, a palavra “halo” (auréola ou anel luminoso, em português) é pronunciada. É quando, numa referência velada, Jackson e Blomkamp dão o seu recado, querendo dizer aos responsáveis pelo cancelamento do outro filme: “Hey idiotas! Virão do que somos capazes?”

Resumindo: O filme é bom, muito bom, e com certeza figurará nas listas dos melhores do ano quando papai noel estiver chegando. Um excelente trabalho de um cara que, assim como aconteceu com Peter Jackson, está saindo do limbo e promete ser uma grande nome da nova geração de diretores que tem surgido por aí. Deixe seu preconceito em casa e vá pro cinema, que esse é um investimento com retorno garantido!

5 Comments

  1. ótimo filme, ótima crítica.. parabéns!

    Posted by Carol on 20 October 09 at 10:56am [Reply]
  2. O filme é incrível!!!!!!!!Rappa!!
    Eu assisti semana passada e..o filme é f@#!…uma das melhores ficções cientificas que eu já assisti e entrou na lista dos melhores da década no PODCAST de cinema da MTV.
    O filme é ótimo serve como uma critica social e política alem de ter ótimas partes de ação.Se você analisar tudo isso separadamente ainda vai achar o filem…f##@! e tudo junto fica ainda melhor.
    É a evolução moral do personagem principal é fantástica..os efeitos especiais das armas então nem se fala de bem feitas que foram finalmente mas não menos importante o enredo que foi muito bem desenvolvido.
    Bem para que não viu:
    Ta ai va assistir pq o filme é f#@!.

    (Altos SPLOILERS DEPOIS DESSE AVISO)
    Espero que tem uma continuação deles daqui a 3 anos voltando para pegar a sua população ,que ficou na terra e o Wikus(não me lembro o nome do cara direito) voltando a ser humano, e reencontrando a sua mulher, mas é óbvio que a MNU vai dar um jeito de começar uma operação militar para descobrir como as armas funcionam(de novo), mas dessa vez dentro da nave.

    Posted by Arthur Didier(Didier) on 20 October 09 at 3:57pm [Reply]
  3. Eu tô LOUCA pra ver esse filme! Vou dar um jeito de ir assistir na semana que vem. *__*

    Posted by Rebeca on 24 October 09 at 12:18am [Reply]
  4. Este filme é perfeito!!
    Fazia muito tempo que não saia um SCI/FI mais adulto para o nosso deleite cinematográfico.
    E ainda vai alçar o status de cult/clássico algum dia!!

    Posted by Tony Sarkis on 29 December 09 at 11:59am [Reply]
  5. Assisti essa semana e realmente é sensacional, como não faziam há tempos.

    Posted by Felipe Muñoz on 29 December 09 at 1:55pm [Reply]

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