True Blood: 9 motivos para assistir

Posted 04 October 2009   Cultura, Seriados, Televisão

Outro dia um bom amigo gritava pelas ondas mágicas do twitter o seguinte post: “@FULANO: Alguém aí pode me indicar uma boa série para começar a assistir?”

Claro que como viciado em séries, e com uma coleção particular consideravelmente grande, fui correndo para meus arquivos ver como poderia salvar meu chapa dessa difícil situação: começar a ver uma série.

Quem já se deparou com isso sabe como é chato ficar comparando séries com o que você já viu, e mais chato ainda ficar procurando a partir do nada algo que vai te chamar a atenção.

Se você se encontra na mesma situação de meu amigo e deseja conhecer uma das melhores séries exibidas na atualidade, vou te ajudar! Aqui está uma lista com 9 motivos para você não perder de jeito nenhum essa maravilha da teledramaturgia americana contemporânea: True Blood!

Oh Yeah! Em True Blood, o sangue é sexy, baby!

Oh Yeah! Em True Blood, o sangue é sexy, baby!

Pra começar, True Blood não é uma história original. Na verdade, toda a série é baseada na série de livros conhecida como “The Southern Vampire Mysteries” (Os Mistérios dos Vampiros Sulistas, numa tradução livre) , da escritora americana Charlaine Harris. O que a HBO fez (Sweet HBO, sempre ela!) foi dar uma roupagem e estilo perfeitos para contar as aventuras de Sookie Stackhouse, uma jovem garçonete de uma minúscula cidade do sul dos EUA. Ok, mas e os vampiros? É aí que a premissa surge: em um futuro nada distante, os seres das sombras que conhecemos como vampiros resolvem dar as caras após milênios vivendo ocultos dos seres humanos. Mas por que só agora? Por que só agora que cientistas japoneses conseguiram inventar algo que permite que vampiros e humanos vivam em harmonia, e não como presa e predador: uma versão artificial de sangue, que dá a possibilidade aos sangue-sugas de não precisar matar humanos para sobreviver. É claro que a trama é bem mais profunda que isso, e a cada episódio, novas surpresas e revelações do vasto mundo em que estão inseridos tais seres mitológicos vão sendo mostradas ao público. Os trejeitos e charme dos caipiras americanos, conhecidos por lá como “rednecks” dão à série um ritmo simplório, apesar de todo o caos que se desenrola e cria momentos engraçadíssimos em meio à tensão dos temas abordados. Bom… chega de blá blá blá! vamos aos principais pontos que tornam essa série tão imperdível:

- True Blood: 9 motivos para assistir -

9 – A Abertura Diz Tudo.

Uma das melhores coisas que você pode fazer pra sentir o clima insano da série é assistir a muito bem feita vinheta de abertura do programa.  Primeiramente, a música “Bad Things” do cantor country Jace Everett traduz em poesia a relação de mistério, luxúria e violência que estão presentes na série (além de ser legal pra caramba, do tipo que fica na sua cabeça por horas após assistir um episódio). Juntamente com isso, o clipe mostra imagens freneticamente editadas como “flashs” que intercalam diversas cenas das mais não-intercaláveis possíveis: Caipiras descansando na varanda, exorcismos, amantes enlouquecidos, animais em decomposição , e daí por diante. Todo o clima mórbido e contraditório exprimido no vídeo reflete muito bem o tipo de climão que você verá na série. Confira você mesmo a abertura:

8 – Orgulho e Preconceito.

Diferente de outras histórias de vampiros já contadas em diversas mídias história à fora, True Blood não é uma narrativa sobre vampiros. Isso mesmo! Apesar da fascinação que estes nos impõe e de estarem presentes a rodo no seriado, True Blood é apenas uma história com vampiros. O principal mote da saga na verdade é o preconceito racial, expressado na narrativa pelo impacto ocorrido na humanidade (e na “vampiridade” também, se é que existe essa palavra) após a revelação de que os mortos-vivos realmente existiam, e que já estavam alí ocultos à um bom tempo. Soma-se à isso a regionalização da série, que se passa no velho e tradicionalista sul dos EUA, muito conhecido pelo seu preconceito e religiosidade. Os conflitos motivados por preconceito e orgulho entre vampiros, humanos e simpatizantes são o motor da série, refletindo de certo modo o nosso mundo real, ainda tão afetado pelo ódio sem motivo gerado por essas manifestações. Isso torna a série, apesar de fictícia, algo útil para entendermos um pouquinho o modo como pensamos, e até para, quem sabe, revermos alguns dos nossos conceitos.

7 – Tem sangue, muito sangue.

Para os fãs do terror e do gore, True Blood é um prato cheio. Além do usual sangue, nojentisse mínima pra qualquer história de vampiro, temos outros elementos repugnantes – como brigas que acabam em mortes violentas, torturas, cárcere privado e até mesmo canibalismo – presentes em cada episódio. Destaque especial para a meleca grotesca que é a morte dos vampiros, que nunca foi retratada de modo tão asqueroso (e legal, se você tem gostos estranhos como o meu). A dica é: não assista True Blood durante as refeições: os efeitos podem ser bem ruins.

6 – Mistérios vampirescos.

Filhos de LOST, podem assistir True Blood tranquilos. Apesar de saber que nenhum de vocês irá admitir que os mistérios presentes na série vampiresca são tão bons quanto os da série perdida, nela existe também um fenômeno muito recorrente nos melhores seriados americanos: você vai ficar se retorcendo de curiosidade ao acabar de ver um episódio. Esse é o principal fator que me leva a indicar uma coisa inteligente pra vocês, queridos leitores: aproveite que a primeira temporada já está disponível em DVD, alugue (ou compre) o box, reserve um sofá na sua casa, se tranque na sala com algum outro(a) nerd interessante, por pelo menos 12 horas e assista tudo numa tacada só.  As dúvidas e mistérios levantados a cada capítulo vão te deixar extremamente inquieto e pensativo até o próximo, então é melhor não passar vontade: assista tudo de uma vez. E já adianto uma coisa: os mistérios só aumentam com o final da primeira temporada e no decorrer da segunda, portanto, prepare-se.

5 – Sociedade dos assassinos mortos.

Algo realmente interessante na série é o modo como a sociedade vampírica é abordada. Na trama central da série, aquela dos vampiros saírem do armário, toda a realização disso não é feita de qualquer forma. Diferente do jeito caótico e tribalista como estamos acostumados a enxergar os chupadores de pescoços, os vampiros de True Blood tem uma sociedade bem organizada, apesar de meio rústica aos nossos olhos democratas. Reis, xerifes e tribunais estão presentes, às vezes lembrando bastante a complicada organização da sociedade vampírica vista em RPGs como Vampiro: A Máscara. Isso é algo que deixa os nerds fãs de role-playing games (como eu) beeem felizes, e ainda “educa” os novos fãs dentro das tradições sanguessugas. Cada elemento dessa organização milenar vai sendo revelado as poucos, deixando um gostoso sabor de mistério na boca dos fãs dos presas-afiadas.

4 – Anna Paquin.

Opa! Vampira errada - há!

Opa! Vampira errada - há!

Não há como falar de True Blood sem destacar o formidável trabalho de Anna Paquin (X-Men, Quase Famosos).  A atriz já era querida dos nerds principalmente pelo papel de Vampira em X-Men, mas nunca tinha realmente alcançado o destaque merecido até ser convidada pela HBO para estrelar a série. E aqui Anna Paquin realmente mostra seu talento (em todos os sentidos. O_O). No papel de Sookie Stackhouse, a garçonete telepata protagonista da trama, ela desabrocha com seu talento retratando perfeitamente os trejeitos e sotaques sulistas-americanos. É inocente na medida certa – e também safadinha na medida certa. E sua relação amorosa conturbada com o vampiro Bill (O_O’… sim, esse é o nome do vampiro principal), que é a porta por onde entramos para conhecer o mundo vampírico, tem tantos conflitos quanto poderia haver numa relação insólita de uma humana com um vampiro. Tudo isso é trazido aos seus olhos com o “plus” da bela imagem que a atriz trás em suas fofas caras e bocas, que vai deixar os marmanjos mais ligados ainda ao seriado.

2 – Caipiras + Vampiros = Bon Temps.

Em toda essa confusão de vampiros aparecendo do nada para tomar seu espaço em uma sociedade conservadora e tradicional, a pacata cidade fictícia de Bon Temps, na Lousiana, é afetada de maneira particularmente especial. A cidade é tão pequena que quase todos os seus habitantes caipiras aparecem na série (tipo como em Simpsons, saca?) e, ao conhecer cada um, mesmo os secundários, passamos a entender que a cidade como um todo é um organismo vivo que agora precisa rever seus conceitos para agregar em suas ruas os novos moradores notívagos. Os sotaques são demais, e a inocência da população (pra não falar ignorância, por que quase todos lá são bem burros) serve como alívio cômico para os momentos mais pesados. O modo como alguns personagens encaram os assassinatos que passam a ocorrer na cidade é tão estranho que até lembram o clima presente nos filmes dos irmãos Coen (Onde os fracos não tem vez, Fargo) que retratam sempre de modo calmo e pacato o estilo de vista dos habitantes do sul americano, mesmo em face ao terror. Até arrisco dizer que – para mim – a cidade e seus habitantes são tão interessantes, que são um dos principais elementos da narrativa (e um dos mais legais também).

1 – Não é Crepúsculo!

Calma, calma! Não estou falando mal da série Crepúsculo, fãs da série teen. O que estou querendo dizer é que existem outras fábulas vampíricas além dessa febre mundial e que True Blood é uma das melhores delas. Se você ficou A-PAI-XO-NA-DA com os vampirinhos adolescentes de Crepúsculo, não deve parar por aí, deve crescer, passando a assistir True Blood (quer dizer, se você for maior de idade, por que a série é bem perturbadora para mentes menos maduras, sendo indicada para +18). É a ordem natural das coisas, e você vai entender que há coisas mais profundas nesse vasto universo imaginário. Pra quem não gosta de Crepúsculo, seja por idade, por gosto ou por raiva do sucesso que a série faz, True Blood também é a escapatória para fugir do senso comum com estilo. A série é adulta e vai fazer os fantasmas dos filmes teens sumirem da sua frente por um bom tempo.

Independente de tudo, a série da HBO vem somar-se a grande biblioteca de títulos baseados nos filhos de Caim (outro nome pros vampiros, pra quem não sabe), e vem se diferenciar como um produto de qualidade em meio à enxurrada de generalidades vampíricas que tem inundado a mídia mundial após o sucesso de Crepúsculo.

É isso aí, caro leitor. Mande você também seus “motivos” para ver True Blood e ajude os nerds perdidos a encontrarem uma boa série para arrepiar suas espinhas!

E continue acompanhando a semana de vampiros do GeeX!

4 Comments

  1. Sempre tive um pé atrás com essa série por causa do sangue sintetico, os vampiros ficaram chatos de um tempo pra cá, mas depois de ler esse texto eu resolvir dar uma chance, quem sabe esse sangue é só uma desculpa pra contar uma boa história.

    Posted by Emarx on 13 October 09 at 8:51am [Reply]
  2. Acredite, amigo Emarx: Vai valer cada gota de sangue derramado! Tirando alguns personagens meio chatos, a série é demais!

    Posted by Bui Ferrari on 13 October 09 at 8:58am [Reply]
  3. [...] com uma matéria melosa sobre os casais (ou mais que casais) vampíricos e mais alguns motivos para você assistir a série da HBO sobre estes seres de atitude estranha, sensuais de um jeito anormal e brancos como a neve (e não [...]

    Posted by Semana de Vampiros « GeeX! on 13 October 09 at 2:51pm [Reply]
  4. Ai Bui, eu nem tenho palavras, sou apaixonada por True Blood e agoniada porque ainda faltam muitos meses pra terceira temporada! xD

    Cara, a abordagem do Alan Ball sobre os vampiros foi a mais madura e criativa. É difícil trabalhar com os elementos fantasiosos desse tipo de obra, pois é muito tênue a linha entre abordá-los de maneira inteligente ou acabar fazendo algo over the top, do tipo super mirabolante mas sem substância.

    Eu penso exatamente como você sobre Bon Temps, até porque sempre me amarrei no universo “caipirão” do sul dos EUA (tirando a parte do preconceito e da religiosidade fanática, claro! hehehe)! Também acho a cidade e seus habitantes muito interessantes e um dos principais elementos da narrativa. ^__^

    E outra, também percebi de cara as semelhanças da estrutura da sociedade vampírica da série com “Vampiro: A Máscara”! Mas não sei se já era assim nos livros da Harris ou se foi coisa do Alan. Aliás, achei ótimas as mudanças que ele fez em relação aos livros, deixando a história e muitos personagens bem mais interessantes (não li os livros, mas li por aí na internet sobre algumas das mudanças). xD

    Posted by Rebeca on 14 October 09 at 12:08am [Reply]

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